segunda-feira, 13 de dezembro de 2010

20 coisas que seu parceiro de treino não te dirá

Mesmo entre amigos, algumas coisas simplesmente não devem ser ditas.
Mas aqui, no blog Tripateta, eu terei o prazer de fazer o trabalho sujo.
É chegada a hora de você ouvir algumas coisas que seu companheiro de treino está morrendo de vontade de te dizer, mas nunca o fará:

20 - Quando estiver correndo na rua, pare de correr no mesmo lugar nos faróis fechados, você parece um idiota.

19 - Existem pelo menos 2 músicas embaraçosas no ipod de todo mundo, portanto pare de dizer que não sabe como elas foram parar na sua playlist. Simplesmente assuma seu amor pelo Supertramp.

18 - Todo mundo fez xixi na piscina em algum momento. Todo mundo. Qualquer um que disser o contrário está mentindo. O mesmo vale para a largada única na natação em águas abertas. Existe uma razão para a água estar morninha naquele momento.

17 - Por favor, limite-se a no máximo 2 dispositivos eletrônicos quando for correr e esconda bem os fios. Fica ridículo aquele monte de fio pendurado saindo de você.

16 - Fora da sua turma de corrida, ninguém se importa se você fez um puta treino de 15k de corrida hoje de manhã. Não tente enfiar esse assunto em todo papo que você tem no seu grupo de trabalho, na escola, nas compras, no banco, no FaceBook...

15 - Nunca use o capacete aero (gota) quando for pedalar em pelotão, a não ser que você queira fazer papel de bobo.

14 - O mesmo vale para combinar a mesma cor dos pés a cabeça e com a sua bike.

13 - Homens peludos de bermuda de ciclismo branca ou transparente deveriam ser aprisionados em gaiolas e enviados para o circo dos horrores da Romênia.

12 - Na piscina, por favor, use maiô ou sunga apropriados, veja se a lycra já não está transparente. Ninguém merece dar de cara com cenas dantescas ao emergir de um tiro de 200m pra morte. É morte certa.

11 - Óculos de natação gigante ou que parece uma máscara de mergulho é assinar atestado de prego. Fica rrrridículo. Compre um óculos normal e, de quebra, melhore sua performance em pelo menos 10seg no tiro de 100m. Sério.

10 - Todo mundo se espanta quando vê suas próprias fotos de corrida online. Você fica assim, com essa cara torta e com essa pança solta quando corre? Sim, fica. Sinto muito.

9 - Não critique a dieta, treino, estilo de vida de ninguém, a não ser que aceite, numa boa, críticas em retorno.

8 - Gabar-se parte 1: se você estiver com atletas que saibam mais do que você, não finja saber tanto quanto (ou pior, mais do que) eles. Simplesmente escute.

7 - Gabar-se parte 2: não existe tempo de expiração para um PR (personal record). Mas a não ser que seja um record mundial, o tempo para se vangloriar de um PR expira em 5 anos.

6 - Gabar-se parte 3: batalhar por um objetivo e chegar lá é OK, mas até alcançá-lo, fique de boca fechada.

5 - Não use os treinos de ciclismo em grupo para disputar a posição de macho alfa, é perigoso e você já está (ou deveria estar) numa escala evolutiva superior a esse tipo de estratagema.

4 - Na natação, se tiver 10 tiros de 100m, por exemplo, não faça os 9 primeiros 30seg acima do seu tempo para poupar energia e bater apenas o último tiro na frente de todo mundo. Macho alfa aquático é tão ou mais patético que o do ciclismo.

3 - Você começou a treinar triathlon esse ano, completou seu primeiro short em abril e em novembro quer fazer um Ironman: grande coisa, nos EUA tem uma freira de 80 anos que também completa um Ironman em 16h59min. Mas sem cãimbras.

2 - Cuidado com os tipos de alongamento que você faz, aonde e na frente de quem você os faz, algumas posições são desagradáveis de serem assistidas, outras queimam o filme para sempre.

1 - Mesmo que seu parceiro de treino seja mais rápido do que você não se diminua nem blasfeme, pode ser, e é bem provável mesmo, que essa pessoa admire algo em você: sua atitude positiva, seu bom humor, sua persistência, seja lá o que for, aceite. Há uma boa razão para a pessoa continuar treinando com você, seu ranzinza.

quinta-feira, 18 de novembro de 2010

"Já que está no inferno, abraça o capeta"


Dita pelo Thiago Pipinis, amigo da academia, em resposta a uma publicação minha no Facebook com a previsão do tempo para o final de semana em Pirassununga, a frase que abre esse post me fez lembrar que às vezes a gente fica num medo danado de vivenciar novas situações ou situações difíceis. E se, ao invés de ir até o inferno e só voltar fedido e chamuscado a gente não aproveitasse e desse aquele abraço no capeta?

Detesto competição cinzenta, com chuva, vento, frio, escura. Sou muito mais um solzão queimando no lombo, protetor solar 50, visão limitada a óculos escuros com boné enterrado na cabeça. Nesse mundo estreito, definido pela aba do meu boné, vou conquistando, pouco a pouco, um tanto de chão. Deve ser o mesmo efeito daquela tapa que se coloca nos olhos do burro, sem a visão lateral, me concentro muito melhor no que está acontecendo no meu organismo, controlando o cansaço, a sede, a fome e sigo olhando em frente.

Existem competições em que o que atrai é a dificuldade das condições climáticas ou naturais para fazê-la. O que seria de Badwater com umidade boa e na sombra? E o triahlon olímpico Fuga de Alcatraz sem as correntezas da baía de S. Francisco? Imagina todo mundo atravessando a baía em linha reta e sem medo de ir parar em alto mar? Sem graça. Provinha básica. E o 1/2 Iron de Pirassununga com temperatura amena? Mais uma provinha no calendário.

Além do sol maravilhoso, céu azul e galera animada, competição em dia quente é legal porque todos têm de enfiar a viola no saco, muda tudo, nivela por baixo.Quebrar com cãimbras ou desidratação fica o tempo todo muito próximo, o limite é bem tênue. Humildade é tudo num dia assim.

Esse final-de-semana tem triathlon em Pirassununga, interior de São Paulo. Terra quente e abafada, previsão de 33C no sábado (dia do short distance) e 34C no domingo (dia do long). Dá medo sim! Todo cuidado é pouco, a hidratação e o controle do ritmo, guardando energia para a corrida, serão a chave da prova. Um atleta que chega para correr os 21k num ritmo de 6min/km vai ficar com aproximadamente 20 minutos de déficit em relação a um que percorrer os 21k a 5min/km. Então, seja esperto(a).

Eu já fiz 3 long distance em Pirassununga, esse será meu quarto. Já peguei nublado e temperatura mais amena, já peguei sol que fervia os miolos. Ah e o sol é punk, o sol detona, o sol seca, mas o sol também dá energia, queima o mau olhado, desintegra a zica acumulada. Que bom que essa prova é bem no final do ano e minhas baterias já estão prontinhas para serem recarregadas para 2011. Venha capeta, que eu quero te abraçar no inferno de Pirassununga!

quarta-feira, 10 de novembro de 2010

Estar na linha de largada já é uma vitória. O resto é plus.


Às vezes, uma bela desistida antes de uma prova é o melhor a fazer. Por vários motivos: não conseguiu treinar o suficiente, se machucou, a grana encurtou, o plano mudou. Depois de muito refletir e considerar, às vezes a gente chega à conclusão de que desistir é o mais justo.


O atleta que "samba" todo dia pra dar conta do trabalho, família, convívio com amigos, trânsito, falta de tempo, dinheiro, etc e ainda consegue espremer aquele treininho no meio disso tudo, quando está presente na linha de largada de uma prova, já é um vencedor.


Muitas coisas podem acontecer no meio do caminho, entre a inscrição de uma prova e chegar o grande dia há uma infinidade de variáveis que podem "despirocar" e tudo pode vir por água abaixo.


Natascha Badmann, 6 vezes campeã mundial do Ironman do Hawai, disse uma vez numa entrevista que, para ela, a parte mais massacrante do triathlon eram os treinos, a monotonia, o cansaço acumulado, as dores. Disse que no dia da prova era só alegria, era a parte mais divertida. Talvez por isso mesmo ela sempre competia (compete ainda) com um famoso sorriso no rosto.

Em 2004 ela chegou em segundo lugar no Hawai, sendo que ela tivera um dia de competição perfeito, tinha dado tudo certo e ela tinha se sentido muito bem. Chegou comemorando e distribuindo sorrisos. Quem chegou em primeiro lugar foi a alemã Nina Kraft, seu desempenho fora espetacular, muito acima de todos os seus últimos resultados, ultrapassou vários homens. Não foi surpresa quando, mais tarde, Nina Kraft foi pega no exame anti-dopping pela substância EPO, perdendo o título e sendo banida por 2 anos do circuito Ironman. É claro que um título de campeã mundial é sempre sinônimo de vantagens financeiras para o atleta, patrocínios mais gordos, etc. Mas será que para a Natascha fez muita diferença ter chegado em primeiro ou em segundo? Ela comemorou muito com seu marido-técnico e estava verdadeiramente feliz na entrevista pós-prova. A impressão que deu foi de que, para ela, ter feito o que ama de forma prazerosa já foi satisfatório. Receber,meses depois, o título mundial, realmente foi um plus.


Tenho visto muita gente extremamente ansiosa para uma prova de triathlon, principalmente se é uma nova distância, um novo desafio. Até aí ok, quem não fica ansioso em véspera de prova? Sabe-se lá o que o dia de competição trará. Mas se você se preparou, conseguiu cumprir os treinos no meio do turbilhão de compromissos do dia a dia, não ficou doente, não se machucou, enfim, se não desistiu por ordem do imponderável, está na linha de largada esperando a buzina, meu caro ou minha cara atleta, já é uma vencedora, pode começar a sorrir e a curtir tudo, porque todo o resto que vier a acontecer na prova (inclusive terminá-la) será plus.

terça-feira, 31 de agosto de 2010

Inveja de monoesporte


Já recebi a revista Triathlete de outubro, mas esse deve ser o último exemplar que recebo, passei a assinar a versão eletrônica: mais barata, prática e economiza papel. Gosto muito de ler a coluna da Samantha McGlone, ela sempre tem uma boa tirada, algum detalhe interessante a comentar. Gostaria de compartilhar aqui no blog a coluna dela de outubro que achei muito legal. Ela usa a palavra "envy" no texto original que eu traduzi como "inveja". Mas eu senti que inveja, em português, tem um sentido muito mais pesado e negativo, então peço que façam mais uma tradução interna, que filtrem essa sensação pesada e se divirtam comigo.

Inveja de monoesporte

Por Samantha McGlone

Minha primeira (e única) participação em um campeonato nacional de corrida cross-country foi longe de espetacular; o time precisava de uma pessoa extra e eu achei que uma viagem de carro para Montreal prometia bons momentos de diversão. Como esperado, a festa do pós-prova foi o ponto alto do final de semana. Meus companheiros de equipe e eu olhávamos timidamente os "corredores de verdade": homens e mulheres velozes que tinham acabado de validar seus tickets para o campeonato mundial. Eu ficava só imaginando como seria correr suavemente e sem esforço. Não tinha medida para minha inveja, sabendo que, como triatleta, eu jamais seria capaz de experimentar tamanho nível de velocidade e eficiência. Esse foi meu primeiro episódio de "inveja de monoesporte".

Todos os triatletas passam por isso em algum momento, sendo invejosos daqueles que se destacam em uma das três disciplinas. Não sei se isso deriva de uma insegurança em nossa modalidade mais fraca ou é um sentimento de oportunidade perdida num dos esportes, mas triatletas algumas vezes se ressentem da reputação de "pau pra toda obra mestre em nenhuma" que acompanha o multiesporte. Triatletas profissionais são quase sempre bons - mas não se sobressaem- atletas de um único esporte que foram parar no triathlon por "default",ou seja, o que restou para fazer quando nadar, pedalar ou correr não deu muito certo. Uma insistente sensação de insegurança nos acompanha e atletas de esportes de modalidade única certamente não ajudam a fortalecer nossos egos. Eu sou alvo de olhares desdenhosos de nadadores Master assim que pego um flutuador para corrigir meus quadris que sempre afundam. Ciclistas são de um tipo ainda mais arrogante e se orgulham disso. Aos olhos deles, triatletas são cidadãos de segunda-classe (embora eles tenham alegremente adotado os aerobars (clips de guidão), bicicletas TT (contra-relógio) e roupas de compressão sem admitirem de onde isso tudo veio). Qualquer tentativa de se juntar ao grupo local de pedal em uma bike TT será recebida com uma recusa silenciosa ou até mesmo de forma abertamente hostil. Quando eu participei da prova Shootout em Tucson, fui com uma bike de estrada e "cara de poker". Algumas vezes meus logos da PowerBar me entregam, mas se eu não mencionar a palavra "triathlon" os caras podem se convencer de que eles estão sendo ultrapassados apenas por uma garota. Isso já é suficientemente ruim. Ser batido por uma garota que nem mesmo é uma "verdadeira ciclista", só uma triatleta, pode ser demais para seus frágeis egos suportarem.

Os corredores parecem bastante amigáveis, mas seus olhares congelam quando nós colocamos a bike no rolo ao lado da pista de atletismo. Visualização e imaginação podem ser úteis nessas situações. Geralmente eu visualizo o corredor magrinho da raia ao lado sendo transportado para uma largada de natação em águas-abertas e vibro enquanto aqueles calcanhares fracos e sem flexibilidade se esforçam para darem pernada e surfarem pelo mar picado. Dó? Talvez, mas me faz sentir melhor ao ter de carregar meu peso extra de músculos de nadadora por 42 km. Mais que tudo, isso me lembra que o que fazemos é bem difícil também e merece respeito.

Meu mais violento episódio de inveja de monoesporte geralmente vem a tona enquanto estou empacotando minha bike e pagando o equivalente a uma passagem extra de avião em taxas de excesso de bagagem (será que eu não poderia simplesmente comprar uma passagem a mais e pular a etapa do empacotamento?) enquanto meus parceiros corredores passeiam até o avião com nada mais que uma mala e uma mochila. São nesses momentos que eu respiro fundo e me lembro que poderia ser pior: eu poderia ser uma pentatleta. A logística de viajar com cavalos, espadas e armas provavelmente bateriam minha única e solitária mala-bike.

Quando tudo parece demais e a inveja pelo monoesporte ameaça acabar com o equilíbrio, tente lembrar que as vantagens de ser um triatleta são muito mais numerosas que as desvantagens. Triatletas viajam para qualquer lugar, desde grandes cidades a pequenos vilarejos e praias exóticas e, na verdade, podem até desfrutar da paisagem durante a competição. Por padrão, o triathlon deve acontecer numa porção de água limpa cercada por estradas amplas nas quais se deve pedalar e correr. Na próxima vez em que você estiver nadando no mar ou em um lago de águas límpidas, conceda um pensamento para aquelas pobres almas que viajam pelo mundo todo apenas para ficar 5 dias confinadas em um estádio de atletismo ou numa piscina. Aquelas linhas escuras no fundo da piscina são bem parecidas desde Londres até Tóquio.

Triatletas também levam vantagem quando o assunto é lesão. Lesões crônicas de repetição prevalecem em qualquer esporte de resistência, mas a combinação de natação, ciclismo e corrida significa que nós podemos ser beneficiados pelo desenvolvimento muscular equilibrado e pelo fortalecimento dos músculos do core. Corredores lesionados são comumente aconselhados a adicionar treinamento cruzado à sua rotina; triatletas estão bem à frente no jogo nesse aspecto.

Até agora, o único antídoto que encontrei para a inveja de monoesporte é interagir com alguém com caso de "multiesportite". Dez anos depois que vivenciei meu primeiro episódio, encontrei um dos mesmos "verdadeiros corredores" que ajudaram a me convencer de que minhas habilidades eram mais adequadas para o triathlon do que para os 10k. Muito tempo depois de se aposentar das competições de corrida, um atleta que participou de 2 olimpíadas se aproximou de mim e se apresentou. Estava ansioso para me encontrar, ele me disse. Estava nervoso porque ia fazer seu primeiro Ironman no próximo verão e queria pedir conselhos de uma "verdadeira profissional". Eu sorri e a inveja se dissipou instantaneamente.


Samantha McGlone participou de uma olimpíada e foi campeã mundial do Ironman 70.3. Terminou em segundo lugar o campeonato mundial de Ironman 2007 e é a atual recordista do percurso do Ironman Arizona.Texto extraído e porcamente, porém com a melhor das intenções, traduzido por mim da revista Triathlete de outubro de 2010.

quinta-feira, 26 de agosto de 2010

Correndo sem tênis (Final)

Procurando opiniões de usuários de uma espécie de sapatilha chamada Five Fingers, da marca Vibram, acabei encontrando vídeos no Youtube de um tal de Christopher McDougal que me deixou impressionada. Mas falando um pouco ainda sobre a Five Fingers, essas sapatilhas foram boladas para atender a um público dos esportes náuticos, elas têm os dedos separados, como as meias Injinji (aliás, não por acaso você encontra um link para o site da Injinji dentro do site da Vibram) e uma fina camada de borracha antiderrapante na sola (a Vibram era uma empresa especializada em fabricar sola de sapato). Mas os corredores logo descobriram e se apropriaram de um dos modelos, a KSO (Keep Stuff Out). A primeira vez que vi uma pessoa usando uma sapatilha dessas na cor preta, achei muito estranho, parecia um pé de gorila.


Christopher McDougal: descobri que ele corria descalço ou com uma espécie de sandália primitiva de uns índios mexicanos ultracorredores chamados Tarahumaras, ou com a Vibram Five Fingers. Peguei o nome dele e fiz uma pesquisa específica no Google, descobri que ele tinha lançado um livro chamado “Born to Run”, que era um Best Seller e estava gerando a maior discussão no meio esportivo lá nos EUA. Fiquei intrigada pelo sujeito e assisti algumas palestras e entrevistas suas no Youtube. Jornalista, ex-correspondente de guerra, corredor alto e pesado, ficou inconformado com um conselho que seu médico lhe deu depois de várias lesões nas pernas e pés : “desista de correr, você não foi feito pra isso”. Na sua busca para responder a pergunta: “Por que meus pés doem?” ele acabou vivenciando e pesquisando muitas coisas e escreveu esse livro.

Eu precisava lê-lo! Mas só tinha em inglês, ia ter de encomendar na Amazon, esperar a entrega, etc. Aí fiquei no compro, não compro por quase um mês e eis que minha amiga Claudia me manda um sms num final-de-semana dizendo que estava lendo um livro espetacular, que eu iria adorar, se chamava “Nascido Para Correr”. Fiquei louca, já tinha saído em português! Na segunda-feira mesmo fui na livraria e comprei. Sensacional. Recomendo sua leitura veementemente pra quem gosta de correr e, pra quem não gosta tanto, é uma aventura muito interessante também. Nesse livro, alguns personagens são bem exóticos, como Barefoot Ted que, claro, corre descalço. Seu blog aqui.


Existem algumas técnicas para melhorar a biomecânica da corrida que estão na “crista da onda”, uma febre entre os corredores americanos, são elas: Chi Running e Pose.

Chi Running: filosofia e técnica de corrida. Baseada nos mesmos princípios e orientação da Yoga, Pilates e Tai Chi, trabalha com os músculos do core, integrando mente e corpo, focada na performance como um todo, com ganho de bem estar. “ Condicionar a mente pode ser tão importante quando condicionar o corpo. Chi Running pode ser uma prática meditativa que foca a mente, eleva o espírito e abre o fluxo de chi na sua vida” (http://www.chirunning.com/).

Bem, pra mim, correr sozinha e sem ipod por mais de 1 hora já me faz cair numa pratica meditativa intensa. Outro dia ouvi alguém dizer que se você começar a correr com um problema em mente e depois de 2 horas de corrida você ainda não tiver resolvido é porque ele simplesmente não tem solução.

Pose: método de ensino de técnicas específicas para cada esporte desenvolvido nos anos 70 por um cientista russo, professor universitário e técnico de time universitário de atletismo chamado Nicholas Romanov. Ele chamou de Método Pose. Esse método promete diminuir a ocorrência de lesões, melhorar a performance, desenvolver o potencial e obter melhores resultados nas provas. É baseado em poses biomecanicamente ideais para economizar energia do atleta. Cada esporte tem suas poses e transições entre as poses.

Técnica Pose para corrida
Promete reduzir o impacto nos joelhos pela metade, cientificamente comprovado pela Universidade da Cidade do Cabo (Cape Town University), no estudo entitulado “Reduced Eccentric Loading of the Knee with the Pose Running Method” foi publicado em fevereiro de 2004 na revista Medicine & Science in Sports & Exercise.
Mais info sobre o método Pose para corrida aqui.
Pelo o que eu li, é um método sério e eficiente, utilizado por triatletas e equipes olímpicas de alguns países.

Taí uma coisa que eu adoraria fazer: aula de corrida com treinador capacitado em pista de atletismo. Infelizmente, por enquanto, não tenho tempo nem $$tempo, mas observo quem corre bem, leio e tento sempre aprimorar minha técnica de corrida. Acho que esse é o segredo de não se lesionar, muito mais do que o tipo de tênis (ou não-tênis) que se usa. Embora eu ache muito legal correr descalça (ou com o Five Fingers, quem sabe um dia eu encontre $$tempo pra ele também...).

terça-feira, 17 de agosto de 2010

Correndo sem tênis (Parte 1)


“Contrário ao mito popular, eu NÃO recomendo correr descalço. Esta decisão, e responsabilidade, é somente sua. Entretanto, eu o recomendo A PENSAR.... Pensar sobre porque nós compramos o mito de que os humanos foram prejudicados pela natureza, enquanto todos os outros animais se dão bem sem vestir calçados."
Ken Bob Saxton, o guru dos corredores descalços

Quando eu era pequena, costumava passar as férias num sítio na região de Sorocaba. A primeira coisa que eu fazia ao chegar era tirar o que tinha no pé e ficar descalça. No começo era muito ruim, as pedrinhas do chão machucavam muito meus pés delicados de criança criada em cidade grande, sempre calçados. Mas eu já tirava logo que era pra ir acostumando e poder brincar logo com minha amiguinha que morava lá. Rápido eu aprendi que uma diferença básica entre correr descalço e correr com calçado é que correr sem nada nos pés exige muito mais delicadeza na aterrissagem, a gente praticamente corre na ponta dos pés e com as pernas levemente flexionadas o tempo todo, passadas curtas, segurando o peso do corpo pra não ir com tudo sobre o calcanhar, o chão é duro e as pedrinhas machucam. Outra coisa que acontece ao correr descalço é que os dedos dos pés “agarram” o chão, eles ajudam a equilibrar o corpo nas passadas. Para escalar morros e pedras então o pé solto era o bicho. Lógico que às vezes ralava os dedos ou machucava com algum galho, enfiava fiapo na pele. Nada que um sabãozinho e uma agulha desinfetada não resolvesse.

Eu estudei numa escola da prefeitura até os 9 anos, lembro que o uniforme de educação física era um shorts branco, saia pregueada branca, camiseta de algodão com o símbolo da escola, meia branca fininha e conga branca. Pra quem não conhece ou não se lembra, a conga era nada mais nada menos do que uma fina sola de borracha com lona por cima. Pra se ter uma ideia da “finura” do solado da conga, os chinelos havaianas tem muito mais borracha. E era assim que eu jogava queimada, apostava corrida, simulava salto em distância, jogava vôlei, basquete, etc. Nunca machuquei joelho, tornozelo, pé, nada.

Sempre gostei de correr com pouca borracha sob os pés, acho que por conta desse meu histórico, me acostumei a correr dessa forma, com tênis com pouco amortecimento, gosto de sentir o chão. Mas a mídia, os profissionais de educação física, médicos, fabricantes de calçados, todos falando em uníssono que devemos usar tênis com amortecimento para evitar lesões, supinador é um tipo de tênis, pronador outro, pisada normal outro, acabei comprando tênis com os mais variados graus de amortecimento. Será que era mesmo necessário?

Foi feita uma pesquisa em Harvard sob a orientação do Dr Daniel Lieberman, do departamento de biologia evolucionária humana e chegaram à conclusão de que quando corremos descalços, mudamos completamente a passada: evitamos cair com o peso sobre o calcanhar. (Veja artigo aqui)

Basicamente ele comprova que, ao correr, quem aterrissa mais pra ponta dos pés gera um impacto menor do que quem aterrissa com o calcanhar. O artigo é bem completo e vale seguir seus links, tem fotos e vídeos.

Um site bem interessante, em português, é esse : http://pes-descalcos.org/run/

Eu estou migrando para tênis cada vez mais minimalista e uma vez por semana dou um trote leve descalça na grama, estou aumentando aos poucos o tempo desse trote. Primeiro porque são anos usando tênis, então estou com a mecânica da corrida viciada nele e minha musculatura de pés e pernas está atrofiada para correr descalça. Muita calma nessa hora senão a gente se machuca fácil. Acredito que meus pés estão se fortalecendo com isso, mesmo que eu continue a correr de tênis na maior parte do tempo.

terça-feira, 10 de agosto de 2010

Boralá!


Depois de um longo período de reclusão esportiva, volto a escrever nesse singelo e amado blog. Junto com a retomada do blog, que está de cara nova também, volto a ser uma triatleta. Nesses tempos tenho me dedicado apenas à natação e algumas vezes ao ciclismo. É bom descansar um pouco e se transformar numa “monoatleta” sem compromisso nenhum. Principalmente no inverno. Assim como a natureza desacelera, as noites ficam mais longas e o frio deixa a gente com preguiça, resolvi desacelerar de tudo, curtir o friozinho, dar uma (leve) engordada, dormir um pouco mais. Não surtei, não me atirei do prédio de tédio como diria a canção. Curti e tenho curtido essa fase hibernal da minha vida atlética.

Mas sinto saudade dos treinos do triathlon, isso é muito bom! Fiquei parada nos treinos mas não parei de ler artigos, livros e revistas esportivas. Fiz questão de perder a copa do mundo de futebol e fiz questão também de NÃO perder o Tour de France, que foi muito bom esse ano, diga-se de passagem. Por enquanto, sem nenhum caso de dopping. Agora quero ficar ligada na Vuelta a España que a ESPN vai transmitir e eu nunca assisti nenhuma etapa. Começa no dia 28 de agosto e, inclusive, promete ser BEM emocionante: a primeira etapa é um contra-relógio por equipes noturno! Em Sevilha. Muito louco.

Barefoot running ou correndo descalço
Um assunto que está sendo muito discutido é a corrida descalço. O que estão dizendo é que o tênis, que é uma invenção da Nike nos anos 70, faz com que a gente corra de forma incorreta: aterrissando com o calcanhar primeiro no solo, o impacto é muito maior nas articulações e isso já foi comprovado por um estudo feito por um grupo de pesquisadores de Harvard. Se correr de tênis causa mais lesões que correr descalço, ninguém sabe ainda. Mas dá pra gente ir tirando nossa própria conclusão pela lógica. Vou escrever um post só sobre o tema. O assunto é muito interessante e tem bastante gente falando nele. Só sei que antes de sair correndo descalço por aí é preciso corrigir a técnica de corrida e fortalecer músculos e tendões da região do calcanhar e da panturrilha. Mas as empresas de tênis já estão de olho nessa tendência e tenho visto nas revistas americanas de corrida e triathlon muitas propagandas de tênis minimalista, ou seja, com pouca borracha embaixo. Eu estou adorando tudo isso porque pra mim faz todo o sentido.

Elite do triathlon nacional
Carla Moreno e Colucci foram bem na Copa do Mundo de triathlon na Hungria. Colucci ganhou e a Carla (2:01:10) ficou em terceiro. Ok. Sem querer ser chata, mas já sendo, a nata do triathlon mundial não estava lá. A próxima brasileira, Pamela Oliveira, chegou em 39.o lugar. Flavia Fernandes, em 44.o. Fernanda Garcia : 56.o. Não vejo renovação no triathlon feminino nacional, essas meninas são super fortes aqui dentro mas lá fora o desempenho é quase medíocre. Eu acho que pra melhorar esse quadro só fazendo intercâmbio com os gringos, como fizeram no salto com vara, ginástica olímpica, natação. Enquanto elas ficarem presas aqui dentro vai ser isso aí mesmo. É o que eu penso.

Já levei minha bike no Elpídio, meu mecânico, pra fazer revisão. Tirei a poeira do tênis. Limpei o bolor do óculos de natação. Agora é começar tudo de novo, semestre novo, treinos novos, quem sabe até um amor novo! Boralá!

segunda-feira, 7 de junho de 2010

Socorro!

Desculpem os aficcionados por futebol, na verdade eu até gosto do esporte, tenho um time do coração, tiro sarro da galera cujos times perderam no final-de-semana, aguento com bom humor as tirações de sarro contra a minha pessoa quando meu time dá vexame, uso o futebol como meio de comunicação e interação entre as diversas camadas sociais, etc. Mas o que eu não suporto é o futebol ocupar quase toda a mídia brasileira esportiva. Na época da Copa do Mundo então? Aí é a imprensa toda e não só a esportiva, o país para. Sufocante.

O exagero é grande demais, os programas esportivos da TV, por exemplo, quando não estão mostrando uma partida da copa estão fazendo um bate-papo ou uma mesa redonda sobre os jogos do dia. Quer dizer, a pessoa já passa o dia todo ouvindo comentários sobre futebol, para de trabalhar para assistir a partida de futebol, depois do jogo continua ouvindo notícias sobre futebol e depois das notícias as mesas-redondas sobre futebol. Socooooorro!

Hoje ainda comentei com um amigo : "quando começa a Copa mesmo?" E ele : "ah, sei lá, acho que sexta-feira?". E eu: "hum. E o Brasil joga quando mesmo?". E ele : "isso eu sei, porque eu ia marcar a vistoria do meu carro nesse dia e minha esposa avisou que tinha jogo do Brasil, ce acha! Depois eu não consigo voltar pra casa, maior trânsito no dia do jogo". Esse é dos meus, suuuuuper preocupado com os jogos da Copa. Mas ter de desmarcar coisas e alterar a rotina por causa de jogo é demais.

Hoje li no jornal a coluna do Veríssimo, ele está na África do Sul, em Cape Town...antes de começar a ler a coluna já fui pensando: "até tú Brutus?!". Mas comecei a ler e fui sentindo um alívio, ele falava que a Cidade do Cabo é muito bonita, que o pôr-do-sol lá é lindo e que apesar de todas as belezas tinha um histórico de brutalidade e de violência, etc e terminava falando que tinha um jogador holandês chamado Robben que prometia ser um destaque dessa Copa e Robben é o nome da ilha em que Mandela ficou preso por 27 anos. A única ligação (e bem forçada, ele mesmo admite) da sua coluna com o futebol. Ufa!

E a celeuma sobre a qualidade da bola? Porque o Kaká ficou em cima do muro, porque a bola é uma porcaria, gente!!!! Réloooou? Muito mais triste que a qualidade deplorável da bola é ter ativista com ajuda humanitária sendo assassinado em águas internacionais e a ONU ficar de mãos atadas e o governo americano desconversar e ficar por isso mesmo.

Até quando vai a Copa mesmo?

terça-feira, 25 de maio de 2010

Claudia IRONtangy

"Iron" já se incorporou ao nosso dicionário esportivo, corrigido e revisado pelos triatletas. Tudo o que for mais que super, duper ou mega é "Iron". E ainda tem um sentido a mais, de resistência, força, determinação.
Eu não conheço pessoa que seja mais Iron que minha amiga Claudia Aratangy:
Iron friend
Iron sister
Iron mother
Iron girl
Iron lady
Iron wife
Iron teacher
Iron women
Iron runner
Iron biker
Iron writer
Iron blogger
Iron thinker
Iron ears
Iron heart
Iron adviser
Iron cupid
Iron soul
Iron athlete
IRONtangy!!!!

Tava na hora mesmo de ela encarar esse desafio e chacoalhar o Ironman de Floripa!

A prova de triathlon, o Ironman em si, é muitos menos Iron que ela. Miúda de estatura e biotipo, IRON na alma e no coração. ClaudINHA?! Que nada! É CLAU!!!!

Posso lembrar de várias coisas legais sobre ela, que partiram dela, que envolveram ela de alguma forma e que foram extraordinárias. Nunca me esqueço dos dias em que fiquei internada no hospital sozinha, ela me mandava torpedo TODOS os dias, religiosamente às 9h da manhã, sempre começava com : "Boletim das 9h ?". Várias vezes me colocou no telefone com os seus meninos para me animar, Martim, Félix, Jan. Um dia comentei com o Félix sobre brigadeiros, no outro dia estava ela lá no meu quarto com brigadeiro de colher que ela fez...hummm delícia. Espalhava pro pessoal que eu estava internada e o pessoal me ligava. Escreveu um post com meu nome, vejam vocês, em seu blog. Uma honra total.

Não ia no treino? Torpedinho pra saber o que aconteceu...

Não dava notícias há mais de 2 dias? Torpedinho: "Filipovitch!!!! Cadê você?"

Só me apresentou coisas boas até hoje! E mesmo quando a coisa não foi tão boa, gerou coisas muito melhores! Como o estreitamento da nossa amizade. E como ela mesma diria : "há malas que vão pro trem".

Em Pirassununga, no Long Distance do ano passado, era meu aniversário 1 dia antes da prova e adivinhem? Lá estava Claudia com seus mil contatos, ela conhecia a cidade por conta de um antigo namorado e conhecia uma doceira por lá. Surpresa: encomendou um cheese cake para comemorarmos de noite. Um dos melhores aniversários que já tive!

Voltando de um Troféu Brasil em Santos, em que eu estava sozinha no carro, ela se ofereceu para voltar comigo, me fazendo companhia e...contando um conto cheio de lições e de fundo moral. Fora a história da gravidez dos gêmeos dela, aos 38 anos, ficou meses de repouso completo...só mesmo uma Iron Belly (barriga) pra aguentar o babado todo.

Quem não conhece ainda seu blog está perdendo! Uma delícia de ler e inspirador.

E não pense você, caro leitor, que é privilégio meu. Não, não. Ela é assim com muitas pessoas, para cada uma, oferecendo o que ela tem de melhor, tentando resolver, aliviar ou, pelo menos, compartilhar os problemas de todo mundo.

Uau, muitas coisas brotam na minha memória mas chega, senão todo mundo vai querer ser amigo(a) dela e não queremos tanta concorrência... Minha homenagem a essa grande amiga, sem muito jeito mas com meu coração na ponta dos dedos, espero, minha irmã, que você curta muito esse momento em Florianópolis, a prova já foi, que foram esses dias e dias acordando de madrugada, pedalando do jeito que dava, cumprindo a planilha à risca, nadando com o ombro doendo, escovando e passando fio dental nos dentes de 3 pequenos, dando suporte, atenção e carinho para amigas e amigos, maridão no laço, coelhos nos pneus dos carros, carinho no Pudim, de olho no Theo entrando na adolescencia, tudo ao mesmo tempo agora. Domingo é só alegria, só diversão, só sorrisos, só curtição. O dia é só seu : com chuva, com sol, com os dois, frio ou calor, as leis do amor estarão ao seu lado, assim como meu pensamento, para que dê tudo certo. Só pode dar, você merece.

7 anos de D&D (Diabetes & Desportes)


É sempre uma honra poder abrir espaço aqui no blog para movimentos que envolvam o esporte e qualidade de vida de alguma forma. Há pouco tempo escrevi um post sobre super-atletas que eram diabéticos : Uma "doce" surpresa. Eles têm um site de informação para que os atletas diabéticos "troquem figurinhas" e se mantenham antenados com novidades e para que mais diabéticos descubram os benefícios do esporte através de seus exemplos.

Eu diria que os exemplos deles afetam a todos, não só diabéticos. Vejam o texto abaixo escrito pelos fundadores do projeto para comemoração dos seus 7 aninhos no dia do IM de Floripa. Parabéns e vida longa ao D&D!


Olá amigos ...

Já se passaram quase 7 anos desde que o Alexei e Eu começamos a imaginar o D&D. No IronMan de 2003 ele foi lá para me assistir e conversarmos sobre nossas idéias e ideais. Queríamos reunir de alguma forma as pessoas que tinham diabetes e que praticavam esportes.

Daquele papo nasceu nossa lista de discussão por emails e o nosso site. Desde então muitos se juntaram a nós, novas idéias surgiram, erramos, mas principalmente, aprendemos. E é assim que queremos continuar.

Bom, para comemorar estes 7 anos (semana que vem tem IronMan em Floripa!) redesenhamos todo o site. O anterior era bem fraquinho mesmo, e este está bem mais agradável aos olhos. Continuaremos a dedicar nossos esforços para que ele melhore a cada dia, não só na estética como também no conteúdo. E também para marcar este aniversário estamos inaugurando a sessão de entrevistas. A primeira, não por acaso, foi com o Emerson Bisan. Nossa expectativa é que no máximo a cada 10 dias tenhamos uma nova entrevista com alguma “personalidade”, ou seja, qualquer um de nosso grupo e até mesmo de fora dele.

E não só do site e da lista queremos viver. Temos muitos planos pela frente, mantendo sempre o que consideramos fundamental: trazer e compartilhar informações sobre o diabetes e as atividades físicas de modo que todos ganhem qualidade de vida.

Obrigado a todos que acreditaram nestas nossas idéias.

Att.

Marcelo Bellon & Alexei Caio

Fundadores do Diabetes & Desportes

http://www.diabetesedesportes.com.br/

terça-feira, 18 de maio de 2010

Endurance



Dia 29/05 acontecerá no litoral paulista a corrida de revezamento Bertioga-São Sebastião-Maresias que possui 75 km de extensão. Nessa prova podem ser formadas equipes de 9, 6, 3 ou 1 pessoa. Não por acaso, a categoria solo também é chamada de Survivor. Eu lembro que, ano passado, na pousada em que fiquei hospedada em Maresias, tinha um atleta que faria na categoria solo e nós (eu e vários profissionais do esporte, como personal trainners, prof. educação física, donos de assessorias, etc) praticamente parávamos tudo o que estávamos fazendo e em silêncio observávamos o "espécime" quando ele passava por nós: "uau...o cara vai correr 75km sozinho...".

Dia 30/05 teremos no litoral catarinense o Ironman Brasil, na praia de Jurerê Internacional, são 3.8km de natação, 180km de ciclismo e 42km de corrida. No Ironman só existe categoria solo e, mais que survivors, os atletas que cruzam a linha de chegada são chamados de IRONMAN ou IRONWOMAN. Se preparar para um Ironman, organizar a logística de alimentação, roupas e "kits roubadas", chegar lá e passar mais de 10 horas numa atividade física constante também é digno de parar e observar quem é esse atleta, do que ele é feito?

Fascínio: as provas de endurance exercem um certo fascínio nas pessoas em geral, imagina nas pessoas que estão envolvidas no esporte! A gente sabe o esforço, a dedicação, a determinação e as dificuldades que envolvem o treinamento para se chegar numa prova desta distância.

Loucura total: essas provas que vão acontecer aqui em terra brasillis no final de maio são longas, são difíceis, são duras. Uma, de 75 km categoria solo, é considerada uma ultramaratona difícil pelo percurso variado entre subidas, praias e trilhas, a outra, um triathlon de longa distância de proporções desumanas (ou alguém acha que correr uma maratona depois de pedalar 180km é normal?). O que dizer então de uma prova de corrida de 254 km (6 maratonas seguidas!!!) no deserto do Marrocos que dura 6 dias e de uma de triathlon que dura 3 dias e os atletas percorrem 515km no total em Big Island-Hawaii? Aqui no Brasil essas provas insanas ainda estão engatinhando, mas na europa são muito populares. Claro, essa Marathon des Sables de 6 dias no deserto do Sahara é um exagero total, mas provas de 70km a 100km são comuns.


Colocar corpo e mente à prova, ver do que somos feitos, do que somos capazes, o limite que a sociedade nos diz que é saudável ou possível é verdade? Um desafio pessoal completado nos dá uma força interior imensa. Para uns é completar 5k no revezamento Pão de Açúcar, para outros é ficar dias correndo no deserto do Sahara. Não importa, desafiar nossa própria natureza, extender nossos limites, isso mexe com o que de mais primitivo existe no ser humano: a sede de aventuras, de descobertas. Se não fosse por essa força, o homem ainda estaria encolhidinho nas florestas africanas, não teria se aventurado para o norte, e do norte para além mar...os tempos são outros, mas o homem continua quase o mesmo. Nossos instintos foram sendo domados pela nossa razão, mas eles continuam lá, ditanto vários comportamentos. Tem uma frase do Dean Karnazes (sempre ele) que ilustra bem isso : "Achamos que se tivéssemos todos os confortos possíveis, estaríamos felizes. E hoje estamos tão confortáveis que ficamos infelizes. Não há a sensação de conquista, de aventura em nossas vidas."


Vou participar do revezamento em trio feminino (chegamos em segundo lugar no ano passado!) na Bertioga-Maresias no dia 29/05 e dia 18/07 estarei no Rio para a maratona. Estou com um bichinho curioso em saber como seria completar os 75km da Bertioga-Maresias no segundo semestre categoria solo... será?

domingo, 16 de maio de 2010

Caminhando e cantando e melhorando o planeta

Quando tive uma TVP na perna esquerda, fiquei 1 semana de perna pro ar (literalmente) no hospital e depois que voltei para casa não poderia fazer nenhum exercício físico intenso ou de impacto por uns tempos. Para uma triatleta viciada em exercícios, que completava 5 treinos de natação, 5 de corrida, 4 de bike e 2 musculas por semana, não seria nada, digamos, natural, para mim, ficar completamente sedentária por tanto tempo. Não posso negar que engordar muito ou ficar com péssimo mau humor também faziam parte das minhas preocupações.

A única coisa que estava totalmente liberada para mim era caminhar. Eu resolvi fazer tudo a pé: punha minha mochila nas costas, uma água, uma fruta, um som no ouvido e ia caminhando e cantando e seguindo a canção... ia fazer meus exames periódicos a pé, aproveitava e caminhava um pouco mais na volta. Ia ao clube a pé, caminhava lá dentro nas arquibancadas do estádio de futebol, voltava ladeira acima a pé. Eu procurava as ladeiras para fazer o coração bater um pouco mais forte. Era muito bom chegar suada em casa na volta. Ia ao shopping a pé, lá dentro, optava sempre pelas escadas normais, xô escada rolante! No metrô: escada. Elevador nos prédios, independentemente do andar, eu estava fora. Subia de escada. Ia na boa, subindo devagar para seguir as ordens médicas.

Dessa forma eu consegui segurar a peteca sem engordar e, principalmente, sem perder a saúde física e mental. Devo admitir que nessas caminhadas pude pensar bastante na vida, mudar alguns pesos e conceitos. Passei a me perguntar se essas "facilidades" de locomoção eram realmente necessárias na nossa vida que, de repente, se todo mundo optasse, sempre que possível, pelo próprio motor, o mundo seria um lugar diferente. E não é exagero. Pense bem. As pessoas teriam mais saúde, portanto menos filas nos hospitais, mais disposição para produzir, criar. Os carros ficariam em casa mais tempo, portanto o ar ficaria menos poluído, diminuiria o trânsito, o barulho, o stress. E, viajando mais ainda no assunto: se estamos usando apenas nossa energia acumulada, economizamos também as fontes naturais (água, petróleo, cana de açúcar, etc) desonerando o planeta.

Aos poucos fui liberada para algumas atividades físicas, como natação e corrida. Só o ciclismo que ficou meio de lado por causa do anticoagulante. Nadar nunca foi muito a minha praia, então comecei a correr mais e acrescentei à minha corrida esse gostinho de liberdade que ganhei nas minhas caminhadas...correr na esteira, que já era um sofrimento, passou a ser um martírio. Somente em último caso. Então eu passei a correr pelos mesmos caminhos que antes eu fazia caminhando, só que me permiti ir mais longe, 20 a 25 km era uma distância bem comum para mim nesses dias. Agora era "correndo e cantando e seguindo a canção..."som no ouvido, gel no bolso, dinheirinho para a água, corria apenas pelo prazer de correr, sem metas, sem cobranças.

Hoje estou 100% curada e totalmente liberada para qualquer atividade física. Mas essas experiências mudaram minha visão sobre várias coisas, principalmente me fizeram pensar na real necessidade, em certas situações, de utilizarmos outros motores a não ser nosso próprio corpo. Eu ainda estou nesse exercício, mudando alguns velhos hábitos, encaixando a caminhada, a escada e a corrida onde possível e o resultado disso, mais que salvar minha saúde, foi abrir meus olhos para a questão da cidadania : contribuir para um mundo melhor. Talvez seja tão importante quanto.

sexta-feira, 30 de abril de 2010

Uma "doce" surpresa

Existem pessoas que gostam de correr e, vez ou outra, enfrentam uma maratona. Existem pessoas que encaram, no máximo, estourando, duas maratonas no mesmo ano, essas já são consideradas excêntricas, o treinador já olha torto, o psicólogo já começa a desconfiar : "tá correndo do quê ?" e por aí vai. Agora, imagine um pessoal que acumula, por mês, na casa de 300km de corrida e 4mil km por ano ? Daí vai pro final de semana e no treino de sábado roda 42km pela cidade. Ou então : na sua planilha de treinos tem a maratona de SP no domingo e 25k na segunda ?

Ahhhh, claro! É um ultramaratonista, tipo Dean Karnazes, são poucos, mas nada de outro mundo, sempre tem um pessoal fazendo provas tipo revezamento na categoria solo ou a prova BR 135 (135 milhas ou 217km) lá na Serra da Mantiqueira, 100k de Cubatão, Ultramaratona Rio 24h, provas do exterior tipo Comrades (100k Africa do Sul), Two Oceans (50km), Badwater (217km), Mont Blanc (166km). Todas elas com suas peculiaridades de dificuldade (frio extremo, calor extremo, altitude, trilhas, humidade relativa do ar baixa, etc).

Agora imagine uma pessoa com esse perfil ultra e diabética ? Superação total. Guerreira total. Pois existe um grupo de diabéticos e ultramaratonistas aqui no Brasil que é ativo na divulgação da prática esportiva entre os diabéticos, no desenvolvimento de novas tecnologias para os diabéticos e na participação de estudos fisiológicos de centros de pesquisas universitários e de indústrias famacêuticas. Para citar alguns : Alexei Caio, Emerson Bisan, Kener Assis, Marcelo Bellon Ferreira.

Minha amiga Claudia, correndo na USP outro dia, conheceu o Alexei, através dele fomos apresentadas a esse mundo novo e agora repasso para os leitores desse despretensioso blog, faço o convite para que conheçam um pouco mais sobre a DM (diabete mellitus), sobre as ultramaratonas, os ultramaratonistas e, principalmente, sobre os ultramaratonistas com DM.

Mas por que o título desse post : Uma "doce" surpresa ? É como os portadores de DM se tratam, eles se chamam de "doces amigos". E são doces mesmo, tanto em sua seiva como em sua alma. Que surpresa boa!

Abaixo alguns links muito interessantes sobre esse assunto :

http://www.diabetesedesportes.com.br/

http://www.diabetesnoscuidamos.com.br/gente_duvida_mes.aspx?id=732

http://www.aacaio.com.br/

http://www.bellon.com.br/diariodebordo/

http://www.desafiolitoralmontanha.com.br/

E muito mais, é só "googlar" que o material é farto.

segunda-feira, 26 de abril de 2010

Questão de segundos

Ontem foi dia da maratona de Londres, o etíope que ganhou, Tsegaye Kebede, fechou em 2h05m19s. (Marílson ficou em sexto com 2h08m46s e não bateu seu record pessoal, mas só de estar entre os etíopes e quenianos de ponta já é uma vitória, top 10 em maratona desse nível é muita coisa).

Fui dar uma olhada no recorde mundial do Haile Gebreselassie (Gabe para os íntimos), e é de 2h03m59s. Ele quebrou por 1 seg a barreira das 2h04. Incrível como os segundos (apenas 1, no caso) têm um peso tão grande numa prova tão longa!

Só por curiosidade, fui calcular o pace (min por km) desses feras. Eu levei em consideração que a maratona seria de apenas 42km (descontando os 195m para facilitar as contas). Então o pace do ganhador da maratona de Londres foi de 2min59seg/km e do record mundial do Haile de 2min57seg/km. A diferença entre eles foi de apenas 2 seg por km percorrido! Parece pouco né ? Mas vai tentar bater esse record do Haile! Ele é o detentor do record mundial desde 2007 (ele bateu seu próprio record em 2008).

Então eu faço a pergunta : será que a capacidade física de uma pessoa que consegue correr por 42 km a 2min57s/km é muito diferente de um que corre a 2min59s/km ? Se a resposta for que realmente não há diferença (e eu tendo a acreditar nisso) por que faz 3 anos que o recorde está aí e ninguém (a não ser ele mesmo) bate ?

Sabemos que numa maratona há muita estratégia de corrida, split negativo, coelhos, fugas, pelotões, intimidações, etc. O maratonista não corre no mesmo ritmo do começo ao fim, isso é fato. Acelerar ou manter o ritmo, tudo no momento exato, essa é a chave. E só faz isso quem se conhece bem, quem conhece profundamente as reações do seu corpo e o que ele é capaz de fazer. Para isso há de haver muito treino, se colocar a prova muitas vezes, se estudar, avaliar os resultados e principalmente : muita humildade. Durante uma competição, apesar de ter uma estratégia combinada com seu técnico, o atleta tem de saber adaptar tudo de acordo com os imprevistos (que sempre aparecem), mudar o planejamento conforme o andar da carruagem sem se abalar. Isso é para poucos, não é qualquer um que sabe fazer isso, por isso tiro meu chapéu e faço reverência ao Haile, ele é um gênio. Eu acho que é aí que moram os 2 seg/km que o separam dos outros maratonistas.

Aliás, a historia de vida do Haile é bem interessante, tem uma reportagem legal que pode ser vista aqui.

Maratona de Berlim, 26/09, não percam essa data.

quinta-feira, 22 de abril de 2010

O dia em que levei minha Bianchi no salão de beleza

Tenho uma MTB Bianchi Oetzi vermelha e preta bonitona.


Só fiz uma prova com ela, um Big Biker em Taubaté. É muito raro eu andar de bike nas ruas de São Paulo, mas quando me dá na telha, vou com ela, só ela pra aguentar os buracos e ondulações do asfalto. Fora que, com os pneus mais largos, é mais segura.

Como estou de férias, resolvi ir na natação da hora do almoço com minha Bianchi, o percurso dá uns 15 min, mas é cheio de ladeiras...um bom exercício. Fiz a natação, delícia, depois fui almoçar com algumas amigas num restaurante japonês muuuuito bom. Fui de carona, deixei a bike na academia. Comemos como se não houvesse amanhã, saí do restaurante com sushi saindo pelas orelhas, aquele soninho começando a bater e me lembrei! Putz, marquei unha da mão no salão de beleza as 15:00 e já são 14:50, e agora ? Peguei a bike, um baita sol, saí a milhão nas pirambeiras do bairro, cheguei no salão em cima da hora. Suada, de sapatilha e roupa de ciclismo. Paciência...vai assim mesmo. Pelo menos descobri que sou até bastante resistente em encher a barriga de comida e fazer um esforço físico intenso sem regurgitar nada...

O estacionamento do salão era aberto e de frente para a rua, imagina que eu ia deixar minha Bianchi, tadinha, ao léo, dando mole ali na rua. Pedi para a moça do salão se eu não podia deixar a bike nos fundos. Ela deixou! Foi muito peculiar a cena, eu entrando com a bike no ombro, de sapatilha e capacete no meio do salão de beleza, parecia uma alienígena. Enquanto caminhava, percebia os olhares da mulherada por cima da Contigo e da Caras me "escaneando"... Sentei no sofá e logo a manicure foi perguntando : que cor ? Eu queria um branquinho discreto. Ela não se conformou : "Ah não, não quer colocar um rosa, tipo o rosa chiclete ?" . Quase tombei do sofá de rir. Rosa chiclete? Mas pedi para ela me mostrar. É um "pink cheguei" bem marca-texto. Respondi : "Passa esse mesmo".

Uau. Ficou legal. Mas não parou por aí não...as manicures se empolgaram. Queriam me convencer a passar o mesmo esmalte nos pés :"mas eu estou de bicicleta, preciso colocar meia e sapatilha para voltar para casa! Vai borrar tudo!". 10 segundos depois lá estou eu, com os pés no colo da manicure fazendo o pé...aiaiai que dondoca! Mas é gostoso ter alguém fazendo massagem no seu pé, hummm é bom demais. Terminou. E agora ? Aha! Mas essa mulherada é esperta, elas passaram um spray secativo gelaaaado nos meus pés, depois colocaram um filme plástico nos dedos, colocaram minhas meias e a sapatilha (se liguem que eu estava com as unhas das mãos frescas e elas fizeram tudo isso pra mim, parecia uma Cleópatra). Nessa altura a mulherada já tinha deixado as revistas de lado e só ficaram olhando a cena, perguntando se eu não tinha medo de pedalar na rua, se eu fazia exercício, que horas que eu fazia, se eu trabalhava, reclamavam que elas bem que queriam pedalar no parque mas não tinham tempo (desculpinha esfarrapada...)

Agradeci muitíssimo a todas pelas horas de deleite e diversão, peguei minha bike no fundo do salão, pus no ombro e fui-me embora, pedalando agora, ladeira abaixo, rindo sozinha e com uma certeza : meu dia e o dia delas tinha saído da rotina, nós misturamos mundos aparentemente incompatíveis, mas como diria um amigo hoje ainda : "tá vendo ? quando a gente quer a gente dá um jeito", e deu certo, cheguei em casa com as unhas intactas!

sábado, 17 de abril de 2010

Treinar ou não treinar resfriado ?

Sempre depois de um esforço físico prolongado, a maioria dos terráqueos (sempre excluo o Dean Karnazes das generalizações por razões óbvias) fica com o sistema imune debilitado. Então é bom descansar, comer bem e se hidratar nos primeiros dias. Sem paranóias, mas também é bom evitar aglomerações, colocar a mão suja no nariz ou nos olhos, evitar irritar a mucosa da garganta com temperaturas extremas, etc. Bem, mesmo a gente sabendo dessas coisas, às vezes acaba caindo na armadilha e lá vem o resfriado no melhor dos casos, ou a gripe, no pior.
Eu fiz a meia-maratona no domingo, terça pedalei mais do que devia, não levei água suficiente pro treino, cheguei em casa sedenta, encontrei 1 litro de água de côco geladinha me esperando (bebi tudo de uma vez) e voilá! Fiquei com a garganta ruim e logo em seguida veio o resfriado. Tudo errado...

Mas também parei por aí. Sábado meus amigos foram pedalar na estrada, um dia super lindo e eu resolvi ficar mais algumas horas dormindo. Acordei tarde numa nhaca terrível, olhei para o céu azul, a vida lá fora e eu aqui dentro desse quarto, credo!!! Coloquei minha roupa de treino de corrida e fui para USP fazer um trote leve. Comecei a correr e me sentir sem fôlego, fazendo barulho para respirar e eu não costumo fazer isso, sou famosa por "sofrer calada" nas corridas, as pessoas acham que estou super-bem quando estou morreeeendo. Então resolvi pegar leve e parei. Mas foi bom pra tirar a nhaca, eu me senti mais disposta depois. Hoje já acordei bem melhor e amanhã acho que já estou nova.

Fui procurar na internet : afinal, quando estamos resfriados, devemos ou não treinar ?

A primeira coisa que devemos fazer é diferenciar um resfriado de uma gripe. Na gripe ficamos destruídos, dores pelo corpo e febre. Nesse caso NADA de treino, cama e sopinha! Até a febre ir embora e a gente se sentir disposto. No resfriado ficamos com aquela coriza clarinha e chata, espirro, tosse leve. Aí podemos treinar se estivermos nos sentindo bem, mas TUDO LEVE, então podemos fazer uma corridinha curta, soltar um pouco na piscina (soltar o corpo e não a meleca...credo hehehe). O que eu li é que se nós forçarmos a barra, se treinarmos muito ou forte, o resfriado vai demorar muito mais para ir embora. Por que? Muito simples : porque o nosso corpo já está no limite tentando resolver o resfriado, tudo está voltado para combater o maledeto (fora que se somos atletas, temos um treininho em recuperação na bagagem já) e ainda vamos dar mais um stress pro corpo compensar! Como a CPU de um computador, o nosso corpo vai dividir o processamento de várias tarefas e portanto todas as tarefas em paralelo ficarão mais lentas. Resumindo, se você já estava podre com o resfriado, ficará muito mais depois do treino e por muito mais tempo.

Eu ainda tenho outra pergunta : e treinar menstruada ? Faz bem ou mal ? Agora me veio outra pior, o armagedom : e treinar menstruada e resfriada ? Ninguém merece...

quarta-feira, 14 de abril de 2010

Preparando a cabeça para maratona

Domingo foi dia de meia-maratona da Corpore, levei meus tênis para doação (pasmem, foram 6 pares) e eu fui para a prova sem planejamento nenhum, não pensei em ritmo nem em tempo final, GPS ficou em casa. Mas a organização colocou marcação a cada km e ainda por cima, em alguns pontos, além da quilometragem, um placar eletrônico com o tempo total e o ritmo de quem estivesse passando por ali. Não adiantou nada eu tentar me livrar da minha própria cobrança...a Corpore me sabotou. Claro que eu acabei olhando para a parafernalha high-tech e fui acompanhando meu ritmo.

Saí na elite C, novamente um luxo, mas desta vez tinha mais gente alinhada na largada, ficou apertado mas ainda valeu. É sempre melhor ser ultrapassada a ultrapassar numa corrida de rua. O zig-zag para ultrapassar é muito desgastante.

Foi a primeira vez que fiz essa prova e saí muito forte, fui a 4:26~4:30 até o km 15, são muitas subidas, curtas, mas numa prova longa, qualquer subidinha precisa ser muito bem planejada (se a gente vai subir rasgando ou se vai subir na boa, sem gastar muita energia). Eu subi rasgando em todas e paguei o preço mais tarde. Quebrei bonito. Quase me arrastei nos últimos kms. Fechei em 1h37. É um tempo bom para 21k, mas o que eu não gosto é de terminar me arrastando, não gostei. Acho que faltou eu me inteirar mais sobre o percurso, respeitar mais a prova. Mas ok, lição aprendida : prova de 21k não é prova de 10k. É óbvio ? Agora parece, mas eu entrei na prova com cabeça de 10k, mesmo que a gente erre no ritmo, logo a prova acaba e tudo bem, mas a partir do 21k a coisa começa a mudar de figura, é necessário um pouco mais de cérebro.

Domingo foi dia também da Paris-Roubaix (Fabian Cancellara venceu novamente, o homem veio com tudo esse ano, ninguém segura) e do Triathlon Long Distance de Caiobá, prova plana e rápida que um dia ainda farei. Ontem encontrei a Ariane (que ficou em segundo no geral feminino) na USP, girando leve no pedal. Guerreira, ela trabalha como aeromoça, sinceramente, não sei de onde ela tira toda a disposição para os treinos desse nível de competição. Torço para que o primeiro lugar chegue logo, ela bem que merece.

sexta-feira, 9 de abril de 2010

Imelda Marcos do tênis

Imelda Marcos foi a esposa do ditador Filipino Ferdinand Marcos. Ela e seu digníssimo já eram famosos por roubarem descaradamente seu povo (nós brasileiros nunca ouvimos falar disso) mas ela alcançou notoriedade peculiar quando, após invasão de sua residência por revolucionários filipinos, encontraram 1200 pares de sapato em seu armário. Todos caríssimos e de grife.

Bem, eu sou só uma trabalhadora honesta que paga seus impostos em dia e faz direitinho a declaração do IR, mas tenho muitos pares de tênis. Não, não chega a 1200 pares nem de longe, não sei como aconteceu, mas um dia resolvi contar e descobri que tinha um monte.

Não é algo do qual eu me orgulhe e toda a vez que cruzo com alguns pares espalhados pela casa, sinto uma bigorna de 1 tonelada pesando na minha consciência. Eu não uso todos.

Domingo agora (11/04) é dia da Meia Maratona Internacional da Corpore. A temperatura está boa para correr, friozinho bom, só espero que as chuvas dêm uma trégua pra gente poder curtir o domingão na boa. Hoje vou pegar o kit da prova e já estou esperta : será que largo novamente na elite C ? Vamos ver.
Olhando ontem no site da Corpore, buscando por informações sobre a prova, programação, entrega do kit, etc, me deparei com o projeto : Seu Tênis Não Pode Parar. Eles arrecadam tênis usados nas corridas da Corpore (ou em qualquer dia da semana em sua sede) e entregam a atletas carentes.

Gostei dessa iniciativa da Corpore, como sei que eles são muito sérios e que os tênis serão realmente entregues a quem necessita, me animei e saí pegando os pares de tênis que tenho e que não estou usando (claro que em bom estado). Lembro que meu amigo blogueiro André Cruz, o Xampa, também já teve uma iniciativa dessas e achei o máximo. Então, inspirada por ele e pela Corpore, vou atrás do tempo perdido e vou colocar essa energia para circular em outros pés. Convido a quem tiver um par de tênis sem uso, esquecido no fundo do armário, que faça o mesmo, ponha numa sacolinha e leve lá no dia da corrida.
Esse (clique aqui) é o link do site da Corpore com mais informações sobre as doações.

terça-feira, 6 de abril de 2010

Skarp e Sta em Caiobá

Dia 11/04 é dia de Triathlon Long Distance em Caiobá, litoral do Paraná. A Skarp, marca de artigos esportivos que me apóia, vai estar lá nos kits dos atletas e na feira de esportes. A Skarp trabalha com tecidos de alta tecnologia da Sta Constância, os produtos são bem diferenciados e bonitos, vale a pena dar uma olhada de perto e experimentar.

domingo, 4 de abril de 2010

Páscoa esportiva

Final-de-semana de Páscoa (e também do Pessach) e dos esportes : GP de Fórmula 1, Travessia dos Fortes, jogos de futebol dos campeonatos regionais, GP de natação de Ohio, Tour de Flandres.
GP de Fórmula 1 : nem sei por que consideram F1 um esporte, já que é o carro que faz 99% do trabalho, mas, enfim, pelo menos tem brasileiro por lá e se tem brasileiro tem minha torcida. O Massa assumiu a liderança do campeonato, mas são só 2 pontos na frente do Vettel e do Alonso, então não é quase nada, mas tá na frente tá valendo. E bom pra ele, dá confiança depois de tudo que ele passou naquele macabro GP da Hungria de 2009.

Travessia dos Fortes : infelizmente perdi a transmissão na TV, mas fiquei sabendo por uns amigos que fizeram a prova que o nível técnico melhorou muito. Poliana Okimoto conseguiu um patrocínio importante do Corinthians e ainda foi lá no Rio e já mostrou resultado ganhando a prova pela terceira vez. Sou super fã dela, é inacreditável que uma atleta desse nível tenha de camelar tanto para sobreviver no e do esporte. Em Santos ela não tinha nem piscina pra nadar direito, agora ela tem tudo, piscina, toda a infra do futebol à disposição, no clube do coração dela, perto da casa dos pais, etc. Só o salário que não é lá essas coisas, mas em se tratando de Brasil até que está de bom tamanho. Tomara que dê tudo certo pra ela e que ela consiga mais patrocinadores. O que deve realmente acontecer.

Jogos de futebol dos campeonatos regionais : eu me recuso a falar sobre futebol nesse blog, já chega toda a imprensa brasileira. Eu ainda me revolto quando pego o caderno de esportes do Estado de SP ou da Folha de SP e só vejo notícias de futebol, deveria se chamar caderno de futebol. E tenho dito.

GP de natação de Ohio : Cielo ganhou os 50m e os 100m livres (49 seg). Lembram do francês maior concorrente do Cielo nos 50m ? O bonitão Frederick Bousquet ? Pois ele acaba de se tornar papai, sua namorada (a francesa Laure Manaudou, ouro nos 400m livres em Atenas 2004) deu à luz uma menina na sexta-feira. Os deuses também se multiplicam.

Tour de Flandres : Fabian Cancellara venceu em 6h25min (média de 38km/h) uma das provas clássicas de ciclismo de um dia mais difíceis, esse ano a prova teve 262km saindo de Bruges. Pelas fotos que eu vi, estava tudo seco e os ciclistas estavam sem agasalho, o que significa que a prova foi atípica e mamãozinho com açúcar, porque esse percurso é quase todo pavimentado com pedras, principalmente as subidas, que são em 15 no total. Nessa prova, os ciclistas costumam descer da bike em algumas subidas porque o solo está tão liso e enlameado que não há atrito. Pra quem não sabe, a Bélgica é a terra do ciclismo (será que lá os blogueiros boicotam notícias de ciclismo ?), então o povo sai na rua e acompanha sob qualquer condição climática. É muito legal. Tom Boonen, que é belga e foi o vencedor do ano passado, bem que tentou acompanhar a arrancada do Cancellara nos últimos 15km, mas não teve jeito, o suíço é um trator, atual campeão olímpico e mundial de contra-relógio, já venceu várias clássicas e já andou de maillot jaune no Tour de France. Só um parentesis : pra mim ainda é inconcebível que o Contador tenha ganhado do Cancellara no CR do Tour de France do ano passado. Podem falar o que quiser e dar mil explicações, mas eu ainda acho que foi, no mínimo, surreal. E botei meu nariz de palhaça. Mas, enfim, sou fã do Cancellara, faz tempo que o acompanho, no próximo Tour, reparem como ele trabalha pela sua equipe, dá gosto de ver (fora que, meninas, ele é bonitão...afe).


Dia 11/04 tem a 108.a edição da Paris-Roubaix, a rainha das clássicas, o "Inferno do Norte". Cancellara ganhou em 2006 e Boonen em 2005, 2008 e 2009. Fiquem ligados que a briga vai ser boa.

segunda-feira, 29 de março de 2010

Primeira etapa do TB 2010 e vida nova para a tripateta


Ontem foi dia de Troféu Brasil em Santos, pouco sol mas quente e húmido, um domingo típico de Santos nessa época do ano.

Foi minha primeira prova de triathlon desde que levei um "trombo" da vida. Fiz na distância short, só para matar a saudade e para ver como estava a máquina depois de alguns meses sem pedalar e treinando ao sabor do vento. E não é que a tripateta ainda está, como diria um amigo, "up and running" ? Terminei em 1h10, fui a primeira amadora a cruzar a linha de chegada, mas o melhor foi que eu me senti muito bem e me diverti muito.

No entanto a tripateta vai tirar uma folga bem prolongada para poder cuidar de outros setores da vida que ficaram negligenciados por muito tempo. Isso não significa que me transformarei em uma sedentária (vou fazer a maratona do Rio em julho, que não é uma corrida qualquer), mas os treinos terão um significado diferente para mim, quero que o esporte seja uma fonte de saúde e não de stress. Já competi demais no triathlon, agora quero mudar o foco. O triathlon é maravilhoso, dinâmico, a gente está sempre querendo se superar, melhorar a técnica na natação, na bike, na corrida, mas (e talvez por isso mesmo) exige dedicação demais e quando não estamos treinando ou trabalhando, estamos cansados. Estou dizendo adeus a esse clube.

Ainda tenho a vontade de fazer o Ironman do Hawai, um dia tentarei novamente. Agora a guerreira quer descansar para dar espaço para a outra Thelma florescer (essa foi profunda hein ?) Acho que tudo isso é o resultado dessa "trombada", me fez repensar tudo e redefinir prioridades.

Mas meu amor pelo triathlon (e pelos esportes em geral) continua intacto, vou seguir acompanhando tudo, lendo artigos, revistas, blogs e escrevendo nesse singelo blog que tanto adoro.

segunda-feira, 22 de março de 2010

Abertura do circuito Corpore

Ontem foi a corrida de abertura do circuito Corpore, 10.5km e 5km. Essa medida 10.5km foi o resultado de uma obra que está sendo feita lá dentro da Cidade Universitária e da nova reitoria da USP que limitou o percurso a apenas algumas ruas. Então a prova, que era tradicionalmente de 12km, caiu para 10.5km. Foi o máximo que conseguiram, e olha que boa parte da corrida se dá fora dos portões da USP, na av. Politécnica, a gente faz vários retornos. O legal dos retornos é que dá pra ver os primeiros colocados passando, eles e elas voam! É muito bonito ver quem corre com técnica, parece que eles nem estão fazendo força.
A prova começaria as 8h, cheguei as 7h na barraca do Marcos Paulo (MPR, assessoria que me orienta nos treinos) e comentei com um dos treinadores que na minha planilha eu tinha 20k para serem completados, que minha idéia era fazer o percurso duas vezes. Ele acabou me convencendo a fazer 5k de aquecimento (já que eu tinha chegado cedo, dava tempo), fazer força na prova e depois soltar mais 5k. Assim fiz, foi melhor mesmo, que hoje não estou nem um pouco dolorida. É sempre bom soltar depois de uma prova ou treino forte, a gente elimina um monte de toxina e já vai relaxando a musculatura.

O tempo estava sinistro quando acordei ontem, correr com chuva é programa de índio na certa, mas fui indo, cheguei na prova e tudo bem. S. Pedro estava colaborando, por quanto tempo ? Bem, depois do aquecimento, fui procurar meu lugar na largada, ela estava toda dividida em ritmos, os corredores tinham pulseiras coloridas que indicavam o setor em que eles deveriam se posicionar. Eu não tinha pulseira nenhuma. Ferrou, pensei comigo, meu kit veio sem a bendita pulseira e eu não percebi, agora vou largar lá no fundão. Antes de entregar os pontos, fui falar com uma pessoa da organização, fui com uma voz de chorona, olha, tô sem pulseira....já esperando uma bela bronca e eis que surpresa! Eu realmente não tinha que ter pulseira mesmo, meu número era da elite C!!! Fui promovida!!! Toda "me achando", agora confiante e de sorriso no rosto, me dirigi ao local de largada da elite. É muito luxo. Sem empurra-empurra, espaço grande para aquecer e se posicionar. Mas a visão que se tem dos primeiros não-elite é assustadora, eu fiquei bem na lateral para não ser atropelada e eles vieram com tudo mesmo. O legal foi correr a prova toda com um pessoal com um ritmo forte e quase sem ultrapassar ninguém, a gente consegue manter uma reta. Apesar da "manada" que saiu desembestada na nossa cola, a experiência foi legal, eu diria que eu gostei do luxo.

Tive dois acompanhantes de ritmo durante a prova, um até o km 6 e outro nos últimos 2k. O primeiro me acompanhou acelerando e desacelerando, uma hora ele me passava e outra ele ficava pra trás. Até que numa ultrapassagem eu falei : "Vamos! Mantenha o ritmo constante" e ele resmungou : "não dá, tô resfriado". Sei. O segundo estava acomodado quando eu passei por ele, ele veio junto, eu acelerei e ele veio junto. Aí comecei a cansar...as pernas pesaaaadas, senti um pouco o treino do dia anterior que não tinha sido fraco, 60k de bike + 5k de corrida, mas olhei no GPS e o ritmo estava forte e constante, 4min/km, aí meu parceiro foi pras cabeças e eu fui... pras cucuias, sem condições de acompanhar o homem, ele foi embora, caramba! De onde ele tirou todo aquele gás ? No mímino fez a prova toda na moleza né...mas na chegada ele veio me cumprimentar e elogiar, um gentleman.

Inclusive, uma notinha rápida : eu cruzei a linha de chegada, já com um copo d'água me hidratando, chip mamão, um rapaz se aproxima com os óculos embaçados e molhados da chuva e me fala : "Olha, eu apostei com a minha esposa que eu ganhava de você, era fácil te ver com esse shorts pink, mas eu não só perdi a aposta como perdi FEIO". Eu cuspi a água que estava na minha boca pra rir, que figura!

Sim, choveu. Sim, meu tênis ficou encharcado. Sim, eu fiquei com frio. Não, não foi um programa de índio! Me diverti muito, fiz um esporte que amo, dei muita risada, revi amigos e conheci gente alto-astral. Imagina se, ao acordar e ver o dia cinzento e carrancudo eu tivesse ficado com preguiça e ficado na cama ? Não teria vivido nada disso...

quinta-feira, 18 de março de 2010

Corrida de rua


Para mim foi onde toda a brincadeira esportiva começou : nas corridas de rua. A primeira foi a corrida de revezamento do Pão de Açúcar, na época era na USP ainda. Maior confusão, um mundo de gente se espremendo na Cidade Universitária. Foram 5k. Mas sofri hein ? Caramba...peito queimando, suando em bicas, pra variar, mas fechei os 5k sei lá pra quanto, não lembro mais (ainda bem). Fui com um pessoal da academia que eu frequentava na época, treinei na esteira e em volta do campo de futebol do meu clube (não digo qual clube porque eu torço pro time arqui-rival). Fui do corre-anda-corre para o tchuc-tchuc em pouco tempo. Eu adorei tudo na corrida. Principalmente a energia dos corredores, aquela organização toda pra fazer as trocas, quem faz qual trecho.

Fui picada pelo bichinho da corrida e entrei no circuito da Corpore, provas super bem organizadas, dava gosto. Meus primeiros 10k foram a prova que se chamava São Paulo Classic, saía próximo ao Ibirapuera e ia em direção ao aeroporto. Percurso pesadinho, algumas subidas fortes. Eu participava de quase 2 provas por mês mas não tinha orientação para os treinos, então eu não melhorava, só conseguia terminar. Mas com sorriso no rosto.

E as largadas ? As largadas das corridas de rua são demais, eu sempre me emociono, no meio do povão, olhando em volta e vendo aquele mar de gente, uma vibração de saúde e alegria indescritível. Mas tem os desesperados que chegam tarde e depois ficam se espremendo nas brechas entre os corredores para irem mais um pouco pra frente. Meu, acorda mais cedo! Mas tudo bem, já entendi que isso também faz parte do ritual da largada.

Depois do sufoco das primeiras passadas a gente encaixa o ritmo e vai curtindo, vendo o pessoal que está assistindo, os malucos de plantão (sempre tem um), com algum detalhe espalhafatoso ou singular (pra ser educada), inclusive, nesse quesito, a São Silvestre é imbatível. Até que alguém chega junto pra ir no mesmo ritmo que você. Isso é um barato, não teve, até hoje, nenhuma corrida de rua que eu participei que alguém não chegasse do lado pra correr junto e marcar o ritmo. A companhia também foi sempre alto-astral. Eu só não gosto de corredor que chega perto, meio que atrás, e fica respirando forte, fungando com muito barulho. Isso não dá, eu perco a concentração e fujo, aumento o ritmo pra escapar do chato. Às vezes o mala não se toca e aumenta o ritmo também, aí eu mudo de tática, diminuo o ritmo pra quase uma caminhada. Essa é infalível, o carrapato desiste.

Uma coisa que eu adoro também nas corridas de rua são os técnicos das assessorias menores, se vê que são ex-corredores. Eles ficam próximos a chegada, tipo uns 2 k antes de chegar, quando os corredores estão no último fio de fôlego e pernas, onde a cabeça vale muito mais que o físico. Eles ficam lá corrigindo erros de postura e chamando a galera nos brios e não é só dos atletas deles, eles chamam a atenção de todo mundo que eles acham que estão se esforçando, eles não aguentam, aposto que se pudessem, eles entravam na corrida e terminavam marcando o ritmo pra cada um. Uau, isso é muito show e só de lembrar me arrepia. Um beijo enorme pros técnicos-corredores que ficam nos últimos kms dando força pro pessoal, vocês são o máximo. E funciona, a gente tira energia não sei de onde e vai pro sprint final.

A chegada é delícia, ufa! Missão cumprida, objetivo completado. "Chip mamão" ou melhor, chip na mão...aliás, tirar o chip é a pior parte da corrida, é a manobra mais difícil, como dói tuuuuudo... Os novos e os velhos amigos se encontram e contam suas peripécias, a gente dá muita risada, alonga um pouco e a pergunta que não quer calar se materializa no ambiente : qual vai ser a próxima ?

Esse domingo, dia 21/03 tem a corrida de abertura do circuito Corpore na USP, eu estarei lá para fazer os 10.5 km....duas vezes! Estou treinando pra maratona...

quinta-feira, 4 de março de 2010

Treinando no rolo

Para os que não conhecem, rolo é um equipamento utilizado para tansformar sua própria bicicleta em uma bicicleta estacionária. Ele pode ter 3 rolos de aço (dois para roda de trás e um para roda da frente e assim a bike fica solta) ou 1 rolo só que é acoplado na roda traseira mantendo a bike presa. O treino no rolo é legal porque você pode usar sua própria magrela e pode fazer as mudanças de marchas deixando o exercício mais pesado ou mais leve. Eu tenho um rolo que prende na roda traseira (não tenho condições de pedalar solta em 3 rolos de aço, sou triatleta e não artista de circo). Mas o rolo é muito utilizado em países com inverno rigoroso, o atleta pedala durante a semana no rolo e nos finais de semana vai para a estrada no horário mais quente (quando dá, porque às vezes o horário mais quente ainda é muito frio ou está nevando).

Bem, aqui no brasil, a gente usa muito quando chove ou quando simplesmente não pode pedalar solto por aí, que é o meu caso. Por enquanto. Tenho data marcada para sentir o vento da natureza (não do ventilador) no meu rosto novamente.

Vou fazer o Troféu Brasil de triathlon na distância short no dia 28/03 e até lá preciso já ir treinando bastante rolo porque só terei 7 treinos com a bike no chão.

Monto minha bike no quartinho no fundo do meu quintal, coloco um vídeo no meu computador (de preferência algum Ironman do Hawai ou um vídeo do Tour de France). Coloco um ventilador voltado para o meu corpo (porque eu suo pra caramba...peguem um pessoa que vocês conheçam que sue muito. Eu suo 3 vezes mais). Ponho uma toalha em cima da bike e uma no chão. Caramanholas com água e CarbUp. Tudo pronto : faço até 1 hora de treino. Mais que isso é prejudicial ao joelho. Porque quando pedalamos na rua, temos o jogo da bike para as laterais de acordo com a pedalada, no rolo não, o joelho segura tudo. Esse é meu "bike workout simulator" :


Outra coisa legal de se pedalar no rolo é a constância da pedalada, sem curvas nem descidas que fazem a gente parar de pedalar na rua, no rolo o exercício é mais intenso. Por isso também não é necessário ficar várias horas pedalando nele.

Nunca gostei muito de fazer rolo, muito monótono, mas ultimamente tenho me divertido bastante. Acho que é a perspectiva de voltar a pedalar na rua já com algum treino nas pernas, sei lá. Mas é muito bom treinar em casa, sossegada, na hora que quero, sem perigos, sem precisar madrugar. Terminou o treino, tomo aquele banho, café-da-manhã e bora trabalhar. Que delícia. Fico o dia inteiro de sorriso no rosto. Tenho pensado seriamente em manter 1 treino de bike da semana no rolo, mesmo depois que puder voltar a pedalar na rua. Resta saber se vou preferir mais esta visão:

ou esta :

(tudo bem que a USP ou qualquer estrada de São Paulo é UM POUCO diferente da imagem acima, mas é só para um efeito comparativo. By the way, esse lugar se chama Toscana, fica na Itália. Deve ser muito triste pedalar aí)

segunda-feira, 1 de março de 2010

Faltam 9 dias para a alforria

No dia 8/12 de 2009 fui diagnosticada com uma TVP (trombose venosa profunda) nas veias poplítea e fibular da perna esquerda. O trombo (coágulo sanguíneo) era pequeno e estava na panturrilha, na altura do joelho. Depois de 2 meses fazendo o tratamento com anticoagulantes, usando meias de compressão e fazendo exercícios leves, meu médico pediu um novo doppler venoso para ver como estavam as veinhas. E eis que....não tinha nenhum sinal mais de trombose recente ou antiga. Sumiu. O médico que fez o ultrassom ficou abismado, disse que foi a recuperação de TVP mais rápida que ele já presenciou. Se ele não tivesse visto o exame anterior, ele disse que não acreditaria que eu tive realmente uma trombose. Nem preciso dizer que saí da sala de exame com um sorriso colado no rosto e o coração aos saltos. Uau, pensei comigo, será que meu médico vascular vai me liberar logo...

O exame ficou pronto, o dia de ir na consulta médica com meu vascular chegou...aiaiai. Que frio na barriga. Entrei no consultório, meu médico pegou os exames, silêncio dos infernos...ele olhava o exame antigo, marcava alguns termos do laudo com a caneta marca texto, pegou o exame que eu acabara de fazer e mais marca texto...aí ele falou : “é, parece que sua trombose desapareceu completamente. Inacreditável. Vou diminuir então seu tratamento que era previsto para 6 meses, pela metade. Você vai ficar apenas 3 meses tomando o anticoagulante. Você começou lá pelo dia 10 de dezembro, então vamos tomar até 10 de março. Depois de 15 dias, vamos fazer uma pesquisa de trombofilia. Mas acho que você não tem." Trombofilia é uma disposição genética que o sangue tem para formar trombos, são vários os fatores, no meu pedido de exame tem uma pancada de nomes e itens a serem pesquisados. Bem, nem preciso dizer que saí de lá nas nuvens, agradeci ao meu médico umas 500 vezes, ele já estava até meio sem graça. Mas gente, FALTAM APENAS 9 DIAS PARA MINHA ALFORRIA! Isso significa que vou poder voltar a pedalar e treinar triathlon, minha grande paixão! Uhu!

Ontem foi dia de Triathlon Internacional de Santos. Fui lá para nadar com a mulherada e acabei nadando e correndo um pouco. Mas o mais legal foi que eu fiquei pilhadaça com o clima de competição. Minhas maiores adversárias e amigas (é isso mesmo, já faz tanto tempo que a gente compete e se encontra nas competições que acabamos ficando amigas mesmo) me deram a maior força. Todas elas, sem excessão, também já tiveram problemas de saúde e precisaram parar por uns tempos, elas retornaram mais fortes do que antes da parada. Isso me encheu de energia, de uma forma que hoje cedo, segundona chuvosa com essa friaca, acordei as 5 da madruga e fui pra academia nadar e muscular. Nossa, tô voltando! Já disse isso uma vez num post antigo, mas parafraseando uma propaganda antiga do Trash and Donalds : AMO MUITO TUDO ISSO.

segunda-feira, 22 de fevereiro de 2010

Nenhuma tecnologia substitui o treino


Participei de algumas provas de triathlon do campeonato brasileiro organizado pela CBTri.

Não fui bem em nenhuma delas, quebrei na corrida, nadei mal, etc mas me lembro bem de uma prova (apesar de ter feito de tudo pra esquecer) que fiz em Vitória, Espírito Santo. O pedal era num circuito super pequeno, acho que tinha uns 4k, então tínhamos de ficar contando o número de voltas, complicado isso, sair da água tonto e ter de controlar a hidratação, a alimentação, o tempo de prova, a galera te passando, o número da volta...chega uma hora em que a gente nem sabe mais onde está ou o que estamos fazendo ali...mas o mais curioso nessa prova foi ver um pessoal de bike marca "frankstein" com firma-pé ultrapassando todo mundo.

Eu estava tranquila, perdida entre um gel e uma volta quando passaram uns 3 assim por mim. Eu só olhei pra bike enferrujada, a camiseta de algodão ao vento dos caras e meu pensamento foi muito simples e sintético : "eita porra!". Comecei a rir junto com minha bike da época, uma Trek 5000. E não vi mais a cor de nenhum deles. Sumiram no hiper-espaço.

Apesar de ter escrito no post anterior que o investimento em alguns equipamentos aerodinâmicos vale a pena (se você tiver bolso pra isso), o mais importante sempre foi e será o treinamento. O número de horas que você dedica aos treinos de bike conta muito. Ao contrário da corrida que, se você ficar muitas horas, dias seguidos correndo (com excessão do Dean Karnasis, claro, mas ele é de Marte) se quebra todo, no ciclismo não, quanto maior a quilometragem, dia após dia, melhor. Logicamente se você estiver bem posicionado na bike e estiver com a saúde 100%.

Quando comecei no triathlon, eu tinha uma Fuji Newest. A bike mais simples da Fuji que também era uma marca mais "barateira", digamos. O Elpídio, meu mecânico, toda vez que eu levava a bike lá pra fazer revisão, insistia que descolava uma bike usada pra mim joinha-joinha...não, eu lá queria saber de outra bike ? Eu estava acostumada com ela! Ela me trazia alegrias! Em muitas provas, me lembro bem de um meio-iron em Pirassununga, eu ultrapassava alguns homens com super-máquinas e suas rodas cósmicas, fazendo aquele barulho de roda fechada : vrum-vrum. E eu lá, tico-tico-tico com minha Fuji Newest...fui....eles ficavam bravos, às vezes me xingavam, acreditem! O lance é que isso me divertia muito, primeiro, por eles serem patéticos por acharem que só comprando o top do top já resultava em um super pedal e segundo, porque, quando eles reclamavam, eu me sentia poderosa. Desculpem amigos homens do meu coração, mas de vez em quando a gente dá um troquinho aqui e outro ali nuns machistas, é bom demais.

Ah sim, quando finalmente a Fuji desistiu de mim (ela não parava de estourar raios), eu juntei uma grana e dei entrada numa Trek. Olha, eu melhorei uns 3 pontos de velocidade de cara (deveria ter ouvido o Elpídio...) e, como era de carbono, fiquei mais confortável também. Depois de muito tempo, investi na bike que tenho até hoje, a Cervelo P2. Outro salto de performance, bike TT, rodas Zipp, etc. Mas com alguns anos de triathlon nas pernas eu achava que merecia.

Bem, essas foram umas lembranças que me vieram à mente como um turbilhão e dei muita risada desses acontecimentos. Quem puxou tudo isso foi meu amigo blogueiro André Cruz, o Xampa. Ele me disse que acharia o máximo ver um cara de Caloi 10 e firma pé dando cacete na galera. Eu também!

P.S. brincadeiras à parte, pedalar na rua com firma pé é super perigoso, melhor pedalar com o pé solto ou com sapatilha (taquinho). Numa emergência, é rápido colocar o pé no chão ou se desvencilhar da bike. Quem já tomou rola de firma pé sabe do que estou falando.

sábado, 20 de fevereiro de 2010

Pedalando contra o vento


Levando-se em consideração que a resistência do ar corresponde a 80% do gasto energético do ciclista (acima de 29 km/h numa bicicleta convencional) para deslocar a magrela para frente e que conforme a velocidade de deslocamento aumenta, a resistência do ar aumenta ao quadrado, ao invés de treinar sempre no pelotão, o triatleta que almeja competir de verdade numa prova deveria se preocupar em pedalar sozinho de vez em quando e, principalmente, em melhorar sua aerodinâmica.


Nesse post eu queria falar de alguns itens :

Roupa, quadro, capacete, rodas e posição na bike

Roupa : o item com o melhor custo benefício. Usar roupas justas, camiseta de ciclismo sem sobras, sem panos ao vento. No frio, agasalho bem colado ao corpo, nada de jaqueta corta-vento 3 números maior, parecendo um para-quedas. Tem gente que coloca uma espécie de meia por cima da sapatilha, eu acho exagero, num contra-relógio do Tour de France a 70km/h talvez faça diferença.


Quadro : o item mais caro, mas investir num quadro de contra-relógio honesto, se você está começando no triathlon, é um bom negócio. Tenho um irmão que é músico, toca violão, sempre que alguém pergunta a ele que violão ele recomenda pra quem está começando ele sugere investir num bom violão desde o começo, nada de comprar o mais baratinho, que é pra pessoa sentir prazer no som desde o início. O mesmo se aplica ao quadro de uma bike de triathlon, não precisa ser o top de linha, mas já pense num quadro aero, de triathlon, mesmo que seja de alumínio. Todas as marcas de bicicleta desenvolvem seus quadros de TT (time trial = contra-relógio) em túneis de vento utilizando as mais modernas técnicas de engenharia, etc, etc. Então marca aqui não conta tanto.

Rodas : Um par de rodas aero (tipo Zipp 404, 808, etc) representa um ganho de 50 a 70 segundos no tempo final de uma prova de 40k. Um par de rodas com máximo de aerodinâmica (fechada atrás e trispoke na frente) representa um ganho de mais 20 segundos (quase 1min 30seg). Isso se só levarmos em conta a aerodinâmica da roda. Esse tipo de roda costuma ser muito mais leve e vem com rolamentos melhores também, o que, por si só, já dá um ganho significativo de performance. Depois que eu comprei um par de rodas Zipp 404 e pneus Continental Competition tubulares, passei a manter entre 37-40km/h com menos esforço numa prova de 40k de bike no plano. Investir num bom par de rodas e pneus é caro (quase o preço de uma bike) mas representa muita economia de energia.


Capacete aero : ou capacete gota. Estudos mostram que, se o atleta mantiver a cabeça na posição ideal quando estiver usando o capacete aero, o ciclista pode diminuir em até 2% seu tempo final. Levando-se em conta que esse capacete é menos ventilado, a cabeça tem de ficar na posição ideal (o ciclista olhando para frente) e o ganho é só de 2%, não vejo por que um amador investir nesse equipamento. Lembrando que Craig Alexander e Chrissie Wellington venceram o campeonato mundial do Ironman no Havaí com capacetes convencionais.

Posição na bike : um bike fit bem feito é tudo na vida de um triatleta. Quanto mais o tronco estiver exposto ao vento, maior a resistência do ar. Mas a melhor posição aerodinâmica nem sempre é vantajosa porque, geralmente, ó mundo cruel, essa posição também é a mais desconfortável e às vezes também não contribui para que a pedalada seja eficiente. O clip do guidão ou aerobar, é essencial para o triatleta. Se você tiver uma bike TT, ela já vem com o guidão e o clip na mesma peça. Se você tiver uma bike de estrada, coloque um clip de carbono legal que seja totalmente ajustável. Pedalar clipado também melhora a performance da corrida do triatleta porque, nessa posição, recrutamos fibras musculares diferentes das recrutadas para a corrida. Mas.....pedalar clipado retira um pouco do nosso domínio da bike, ao invés de controlarmos a direção da bike com as mãos, usamos o antebraço, o que pode causar acidentes caso estejamos no meio de um pelotão, portanto, nada de pedalar clipado em pelotão!!! Eu iria além, nada de pedalar clipado perto de outro ciclista.