sexta-feira, 23 de setembro de 2011

Triathlon e os pequenos prazeres da vida


Trote leve fofocando com os amigos

Pisar o chão descalça depois de correr

Contar piada no treino de pedal as 5:00 da manhã

Falar palavrão no treino de pedal

Soltar 100m livre

200m de perna com nadadeira conversando em 3 na mesma raia

Ter um amigo nadando no teu ritmo na raia ao lado só pra te fazer companhia

Sentir o sono vir e poder dormir

Acordar no pique total numa manhã de verão

Banho quente depois de um pedal gelado

Coca-cola gelada depois de um pedal quente

Primeira respirada profunda na bike, depois de uma natação tensa

Nadar no mar

Massagem

Tricotar com as amigas no vestiário da academia

Padoca com os amigos depois do treino

Pão francês fresquinho com manteiga e café no lanche da tarde

Lanche de churrasco com queijo na estrada voltando da competição

Comer um prato GG de macarronada no jantar

Pegar vácuo numa roda boa

Sentir a endorfina entrar na corrente sanguínea durante a corrida

Matar o treino de pedal da madrugada e dormir mais 2 horas babando

Ver o sol nascer no treino de pedal da madrugada

Perceber que alguém te esperou para dar roda e voltar para o pelotão

Esperar alguém que sobrou e levar de volta para o pelotão

Fazer xixi na roupa de neoprene antes da largada

Tirar a roupa de neoprene

Não conseguir parar de colocar itens nessa lista

terça-feira, 6 de setembro de 2011

Poesia de uma tarde de inverno


Deixei as palavras brotarem para não estourar a represa e canalizei através do triathlon, como ele é meu esporte de coração, achei que era um veículo nobre.

A água nas mãos
Deslizando os braços
Esticando o alcance
Abrindo espaços

O vento no rosto
É o vento na alma
O vento no corpo
Balançando a calma

Os pés no chão
O passo ligeiro
A energia de dentro
É o prazer inteiro

Não vejo a linha
E não importa que eu passe
Pelo contrário, espero
Que o caminho me ultrapasse

segunda-feira, 15 de agosto de 2011

Bastidores do triathlon



Parte 2: O Menu

Se o treino ou a competição vão durar até 2 horas, nada que 2 sachês de gel (1 a cada 45 min) e 1 garrafinha de água não resolvam. O triathlon na distância short e olímpica dificilmente ultrapassa esse tempo. A não ser que seja uma prova com requintes de crueldade, tipo os XTerra ou os XTreme da vida, aí sim lá se vão mais de 2 horas fácil. Portanto, eu diria que quem compete até a distância olímpica ainda mantém o glamour ao comer, é relativamente clean e seguro (no sentido de não causar distúrbios alimentares) consumir apenas o gel com água.

Agora quando vamos analisar o que o triatleta de longa distância consome nos seus seguidos treinos de mais de 3 horas de duração, principalmente na bicicleta, aí a imaginação corre solta. Principalmente porque comer as mesmas coisas toda semana enjôa, daí que estamos sempre "trocando figurinhas" uns com os outros e o menu começa a ficar bem "tabajara". Eu acho que já falei em algum post anterior que triatleta não pode ser fresco. Pelo menos os de longa distância não.

Imagina como fazemos para transportar toda a comida? Clean não é. Delicado não é. Bonito aos olhos e apetitoso não é. Geralmente usamos um "Bento Box" (veja definição no dicionário da minha amiga Claudia) na bike e uma pochete na corrida (além dos bolsos das camisetas e shorts). E detalhe: não costumo lavar o Bento Box sempre não...duvido que alguém faça isso regularmente!

Montei uma lista de "comidinhas" que já experimentei nos treinos e nas competições, coloquei tudo no formato de menu à la italiana, pelo menos nisso, no formato, manteremos o glamour. Devo informar que as combinações dos itens nem sempre funcionam, às vezes é necessário ter em mente duas das "10 dicas que Lance me ensinou": 8-Diarréia: volte para casa assim que posível e 9-Flatulência:fique no final do pelotão. Mas isso a gente só descobre experimentando. Ou não.

Buon appetito!


Antipasti
- Palitinhos assados salgados (Stiksy)

Primo
- Batata cozida só no sal
- Massa de lasagna cozida com sal e enroladinha
- Purê de batata no saquinho de gelinho

Secondo
- Bisnaguinha com requeijão light e peito de peru

Contorno
- Barrinha de proteína
- Gel

Formaggio e frutta
- Banana prata
- Laranja
- Gomos de mexerica

Dolce
- Bananinha com açúcar
- Bananinha com cobertura de chocolate
- Bisnaguinha com geléia
- Mocotó (bicolor rosa e branco)
- Confeitos de gelatina (variados sabores e formas)

Caffè
- Gel GU sabor cappucino com o dobro de cafeína

Digestivo
- Coca-cola

Bebidas
- Água
- Endurox R4
- Accelerade
- Gatorade
- Água com maltodextrina

sábado, 13 de agosto de 2011

10 dicas importantes que o Lance Armstrong me ensinou



Há tempos que quero sair do silêncio aqui no Tripateta, até já escrevi a continuação para a série “Bastidores do Triathlon” mas não encontrava tempo nem disposição para revisar o texto e postar. Agora com o 70.3 de Penha se aproximando, e portanto descansando mais nos finais-de-semana, peguei para ler o livro “Lance Armstrong- Programa de Treinamento” que ganhei há uns 2 anos e ficou na estante. Senti uma necessidade incontrolável de compartilhar ensinamentos grandiosos que encontrei neste pequeno compêndio, verdadeiras pérolas de sabedoria, escrito por um tal de Joffre Nye, “ghost writer” de Chris Carmichael e Lance Armstrong. Tenho cá comigo a certeza de que Adriana Oliveira, a tradutora, também deve ter contribuído para que as pedrinhas de conhecimento se tornassem pérolas cintilantes.

Então vamos lá, no meu formato preferido de lista inversa de importância, separei com carinho 10 dicas que achei imprescindíveis para qualquer ciclista que se preze, lá vão!

10- “Os rolos de treinamento são os melhores amigos dos ciclistas dedicados. Lance os utiliza para vários propósitos”
Tripateta: Uau! Eu tenho um amiguinho para os dias de chuva! Estou dentro!

9- “Por mais confortáveis que possam ser para Lance ou Chris, os shorts de lycra de ciclismo não agradam a todos, pois deixam “tudo à mostra””.
Tripateta: Opaaaaa! Deixam tuuuuudo a mostra?

8- “Aquecedores de braço podem ser guardados nos bolsos da camiseta quando não estiverem sendo usados”
Tripateta: O “aquecedor” é um conjunto de fios que vai pelo braço né? Tipo aquelas mantas elétricas? Dica boa essa.

7- “Uma técnica para enfrentar curvas é conhecida como fora/dentro/fora. Desloque-se para fora em direção à beira da sua pista. Passe pela curva em uma tangente dentro dela. Depois da curva, deixe o impulso levá-lo para fora, para a beira da pista. Então imediatamente volte para o lado direito da estrada, para sair do fluxo do tráfego”
Tripateta: Oi?

6- “Lance aprendeu a técnica de pressionar o lado interno do joelho contra o tubo superior de seu colega de equipe inglês Sean Yates”
Tripateta: Ou o Lance tem as pernas longas pra caramba ou isso já tá ficando meio que proibido para menores.

5- “As colinas não são todas iguais”
Tripateta: Essa vou escrever num post-it e colar no meu guidão quando estiver treinando numa subida de 2% de inclinação para fazer uma de 10% na competição.

4- “Todos os campeões compartilham o dom de manter rigidamente um foco; eles podem ligá-lo ou desligá-lo.”
Tripateta: Só uma dúvida: se desligar o foco, como, ou melhor, onde fica?

3 - “Seja mais esperto que seu cérebro”
Tripateta: No comprendo.

2- “Como lidar com disfunções alimentares. Diarréia: volte para casa assim que possível”
Tripateta: Sem comentários.

E finalmente a dica mais importante do livro...

1- Como lidar com disfunções alimentares. Flatulência: reduza a quantidade de alimentos ricos em fibras e fique no fim do pelotão para o conforto de seus companheiros.”
Tripateta: E acenda um incenso! Pelamor!

quarta-feira, 13 de abril de 2011

Bastidores do triathlon



Parte 1: O carro

Nadar, pedalar e correr, tudo na sequência, no mesmo evento, quase sem descanso entre uma modalidade e outra. Requer treinos diários, geralmente 2 modalidades por dia. Treinar triathlon, trabalhar, ter tempo para família e amigos e morar numa cidade caótica como São Paulo é quase um milagre. Mas existe uma parcela de obsessivos neuróticos e disciplinados que consegue, nem sempre da forma, digamos , mais limpa. Apesar de todo o charme da tecnologia das bikes, dos aparatos, do equilíbrio muscular, das cores, da aura apolínea do triatleta, existe um outro lado bem menos glamuroso. Não sei o que se passa com os triatletas de outras cidades, que talvez tenham algumas facilidades, como ir para o treino a pé, de bike, nadam no mar, etc, mas vou abrir o jogo e contar alguns detalhes sórdidos dos bastidores do meu esporte aqui em São Paulo.

A começar pelo carro. Para ser triatleta aqui, com o mínimo de segurança e pontualidade, é preciso ter carro. A cada treino, a cada competição, a gente “chucha” um monte de coisa lá dentro e nunca consegue tirar tudo. Eu não coloco a mão debaixo do meu banco sem olhar antes.

Caramanhola (garrafinha) é uma beleza, rola pra tudo quanto é lado no chão do carro. E se estiver com restos de maltodextrina ou Endurox então só rola uma vez pra baixo do banco e gruda, deixando um rastro de lesma brilhante pelo tapete de borracha. Uma vez eu achei uma caramanhola antiga no porta-malas e tinha um ser vivo morando nela. Joguei no lixo sem pensar duas vezes, antes que a tampa se abrisse e saísse uma garra asquerosa lá de dentro. Por outro lado, outro dia, estava na musculação e o treinador me deu uma bronca porque eu não estava me hidratando. Retruquei dizendo que tinha esquecido a garrafinha. Ele deu risada e me falou: “Ah vá, carro de triatleta sempre tem uma caramanhola debaixo do banco do passageiro, na parte de trás, aposto que tem uma no seu.” Não dei o braço a torcer: “Tem nada! Meu carro é organizado!”. Quando fui embora, só por curiosidade, procurei em baixo do banco. Ela estava lá. Felizmente tinha só um resto de água e coloquei novamente debaixo do banco, nunca se sabe quando vai precisar...

Uma coisa é certa: não dá pra ser triatleta e fresca (o). Se é fresca (o) não é triatleta de verdade, deve fazer “teatro”. Porque pensa bem, pegar o saquinho com roupas sujas do treino da manhã que ficou o dia todo dentro do carro, às vezes sob altas temperaturas, abrir no final do dia pra lavar é um ato de coragem. Isso quando a gente lembra de levar o saquinho, porque senão elas ficam todas emboladas no chão, atrás do banco do motorista, deixando um olor agradabilíssimo, praticamente um pout pourri de rosas e alfazema, que você sente ao abrir a porta do carro e quase cai pra trás. Coitado do manobrista, se o carro fica em um estacionamento. No meu estacionamento eu chego e já vou avisando: “Ó, tem gato morto aí dentro hoje hein? Melhor deixar os vidros abertos!” .

Tênis eu já cansei de lavar, dá muito trabalho e gasto muito tempo. Agora, depois dos treinos longos de corrida, aqueles em que a gente sua bastante e os tênis ficam encharcados de suor, eu simplesmente os coloco no sol pra secar. Depois uso de novo. Sol. Suor. Sol. E por aí vai. Só lavo mesmo se estiverem (bem) enlameados ou se a presença deles dentro do meu carro for notada antes mesmo do treino. Ainda bem que os pés ficam longe do nariz quando a gente corre!

Agora, tem uma coisa estranha que acontece, um fato inexplicável, acho que é um “poltergeist”. Um fenômeno paranormal. Uma, e somente uma luva de ciclismo quase sempre muda de lugar sozinha e vai para uma parte desabitada do carro. Por mais que eu verifique. Por mais que coloque tudo juntinho. Uma fica lá dentro. E quando eu descubro, valha-me meu Nosso Senhor do Couro Podre, é um cheiro peculiar. Só ela. Sozinha. Pequenininha.Tem um futum que vou dizer. Luva de ciclismo deve ter mesmo um segredo porque quando ela começa a ficar velha, não adianta lavar mais, nem deixando de molho na cândida. Só botando fogo e exorcizando a coisa ruim!

Mas não é sempre que a gente acorda de manhã e sabe exatamente o que vai conseguir treinar durante o dia (leia-se aqui antes do trabalho, na hora do almoço ou depois do trabalho). Ciclismo não tem jeito pra mim, ou é de madrugada ou é bike no rolo. Mas natação, corrida e musculação são sempre incógnitas. Então carrego de tudo um pouco no meu possante. Nele quase sempre se encontrará : 1 par de tênis, 1 maiô, 1 óculos de natação, 1 touca de natação, 1 toalha, 1 conjunto de corrida (top, meia, camiseta, shorts), 1 gel, 1 bananinha Paraibuna. Bobeou a gente dá aquela escapadinha pra correr no parque no final do expediente ou faz meia-horinha de musculação antes de ir pra casa.

Eu poderia falar do banco do carro no pós-treino, mas sou bem precavida quanto a isso, cuido bem dele porque depois eu preciso sentar no mesmo banco com roupa de trabalho limpa e cheirosa, apesar de o cinto de segurança, às vezes, ficar úmido (ainda não resolvi essa questão) então sempre levo uma toalha e acabei de comprar uma capa de banco especial. Muito boa. A minha tem até estampa de flores pra dar um quê delicado num mundo tão rude. Mas esse não é o padrão não, em geral o banco dos carros dos triatletas é deplorável, já ouvi manobrista (que é cabra macho sem frescura nenhuma) reclamando do cheiro e de ficar com as costas e a poupança molhadas de suor alheio.

Hoje peguei carona para almoçar com amigas triatletas e personal trainers. Tinha uma bola de treino gigantesca "sentada" ao meu lado e outras coisas que não consegui enumerar, de tantas. Se a bola estava no banco traseiro, não quero nem imaginar o que teria no porta-malas...