
A única coisa que estava totalmente liberada para mim era caminhar. Eu resolvi fazer tudo a pé: punha minha mochila nas costas, uma água, uma fruta, um som no ouvido e ia caminhando e cantando e seguindo a canção... ia fazer meus exames periódicos a pé, aproveitava e caminhava um pouco mais na volta. Ia ao clube a pé, caminhava lá dentro nas arquibancadas do estádio de futebol, voltava ladeira acima a pé. Eu procurava as ladeiras para fazer o coração bater um pouco mais forte. Era muito bom chegar suada em casa na volta. Ia ao shopping a pé, lá dentro, optava sempre pelas escadas normais, xô escada rolante! No metrô: escada. Elevador nos prédios, independentemente do andar, eu estava fora. Subia de escada. Ia na boa, subindo devagar para seguir as ordens médicas.
Dessa forma eu consegui segurar a peteca sem engordar e, principalmente, sem perder a saúde física e mental. Devo admitir que nessas caminhadas pude pensar bastante na vida, mudar alguns pesos e conceitos. Passei a me perguntar se essas "facilidades" de locomoção eram realmente necessárias na nossa vida que, de repente, se todo mundo optasse, sempre que possível, pelo próprio motor, o mundo seria um lugar diferente. E não é exagero. Pense bem. As pessoas teriam mais saúde, portanto menos filas nos hospitais, mais disposição para produzir, criar. Os carros ficariam em casa mais tempo, portanto o ar ficaria menos poluído, diminuiria o trânsito, o barulho, o stress. E, viajando mais ainda no assunto: se estamos usando apenas nossa energia acumulada, economizamos também as fontes naturais (água, petróleo, cana de açúcar, etc) desonerando o planeta.
Aos poucos fui liberada para algumas atividades físicas, como natação e corrida. Só o ciclismo que ficou meio de lado por causa do anticoagulante. Nadar nunca foi muito a minha praia, então comecei a correr mais e acrescentei à minha corrida esse gostinho de liberdade que ganhei nas minhas caminhadas...correr na esteira, que já era um sofrimento, passou a ser um martírio. Somente em último caso. Então eu passei a correr pelos mesmos caminhos que antes eu fazia caminhando, só que me permiti ir mais longe, 20 a 25 km era uma distância bem comum para mim nesses dias. Agora era "correndo e cantando e seguindo a canção..."som no ouvido, gel no bolso, dinheirinho para a água, corria apenas pelo prazer de correr, sem metas, sem cobranças.
Hoje estou 100% curada e totalmente liberada para qualquer atividade física. Mas essas experiências mudaram minha visão sobre várias coisas, principalmente me fizeram pensar na real necessidade, em certas situações, de utilizarmos outros motores a não ser nosso próprio corpo. Eu ainda estou nesse exercício, mudando alguns velhos hábitos, encaixando a caminhada, a escada e a corrida onde possível e o resultado disso, mais que salvar minha saúde, foi abrir meus olhos para a questão da cidadania : contribuir para um mundo melhor. Talvez seja tão importante quanto.

E aí Thelma? Posso repetir tuas palavras no meu blog? 100% de alma no post de hoje. Uma vez você me perguntou se colocar aquela imagem no meu msn e passar um email para meus amigos iria fazer alguma diferença no planeta. Na época respondi que achava que sim, o que vc acha?
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