domingo, 27 de setembro de 2009

Periodização da vida

O triathlon é um esporte que, quando praticado com seriedade, exige uma grande dedicação. A maioria dos triatletas que eu conheço são pessoas determinadas, multiprocessadas (que gostam de fazer várias coisas ao mesmo tempo) e perfeccionistas. Nós depositamos uma quantidade grande de tempo e de energia no nosso esporte.

O triathlon faz parte do meu cotidiano, é minha higiene mental, ele me mantém em forma e saudável, por ele eu como e durmo bem, ele me ajuda a manter minha auto-estima elevada. Amo meu esporte, mas ele não é tudo.

Eu acho que é possível conciliar nossa vida de triatleta com nossa vida pessoal sem ficar devendo nada para nenhuma das duas. É uma questão de se organizar e de definir prioridades.

Outro dia li um artigo de um médico triatleta americano, ele sofrera uma série de acidentes que o impediam de treinar e, por conta disso, se dedicou a outros aspectos de sua vida, encontrando oportunidades que, do contrário, não teria tempo de procurar (um dia transcrevo a história dele num post que é incrível)...mas ele dizia que devemos periodizar nossa vida assim como as planilhas de treino são periodizadas de acordo com a temporada de competições : em alguns momentos devemos focar nossas energias no nosso trabalho (ou estudo), em outros, nas nossas relações humanas (família, amizades, namorado) e em outros no nosso esporte (Ironman) . Eu concordo com ele e acho que essa comparação foi muito bem sacada. No momento estou focando nas relações humanas e estou adorando e você ?

sexta-feira, 25 de setembro de 2009

Quando a USP fechou para as bicicletas

Quero escrever esse post para os velhos de guerra manterem fresco na memória o que aconteceu e para a nova geração conhecer a história e não deixar que as coisas cheguem ao ponto que chegaram.

No dia 25 de abril de 2005 a USP fechou para nós ciclistas. Foi um desespero total, assessorias, ciclistas, fabricantes de bike, mecânicos, lojistas, todo mundo contando o prejuízo. Nós fizemos rolo por muito tempo. Eu fiquei sócia do Clube Bandeirante de remo pra poder entrar, mas mesmo assim era encrenca (vai explicar porque eu tinha uma bike dentro do carro se eu era do remo...) não podíamos circular na avenida da raia olímpica, os guardinhas faziam barricada. Eu lembro do pessoal da MPR, que de alguma forma descolou uma carteirinha da USP, fazendo aula só lá no hospital universitário (HU), "escondido".
Nós parávamos o carro na rotatória do Instituto Oceanográfico e ficávamos circulando só de lá pra cima. E ficamos muito tempo fazendo isso.

Tudo começou com um tal de "pelotão da morte" que circulava à noite, eram centenas de ciclistas selvagens que infernizavam a vida dos USPianos. Eles pedalavam a 50km/h no meio dos carros, xingavam todo mundo, não respeitavam nada. De manhã também tinham pelotões grandes que atrapalhavam o trânsito dos carros, dos ônibus e dos pedestres. Tinha uma galera que fazia xixi na reitoria e não tava nem aí se tinha alguém olhando. Resumindo : os ciclistas eram odiados por todos e com razão.

A prefeitura da USP recebia milhares de reclamações diariamente até que eles cansaram e decidiram fechar a USP para as bicicletas. Foi uma loucura, reuniões e mais reuniões com todos os segmentos envolvidos e o prefeito da USP era irredutível. Apelaram para a reitoria, para o governador, para as rádios, jornais, políticos e nada. Bateu desespero. Fizemos uma bicicletada saindo do Jockey até a USP e dentro da USP fomos em passeata até a prefeitura universitária, eu estava lá, eu lembro de tudo e lembro que o Marcos Paulo também estava lá. A MPR foi uma das únicas assessorias a estarem presentes sempre em todas as lutas para reabertura e depois que reabriram, foi uma das únicas que seguiram as restrições à risca.

Eu lembro também que eu saí mandando e-mail pra todo lado, secretário de esportes, assessores, mandei um e-mail para o titio Marco Antonio da rádio Kiss FM explicando nossa situação periclitante, que por causa de uns babacas a gente estava sem poder treinar triathlon na cidade de São Paulo. Ele leu meu e-mail no ar, foi uma chuva de telefonemas e e-mails aquela noite (tanto de gente apoiando o fechamento como de gente apoiando a reabertura). Os caras da rádio ficaram bem felizes com a repercussão e me mandaram um par de convites para ir ao cinema (dã).

Depois de muita conversa, um projeto com regras e restrições foi redigido pelas assessorias, ciclistas, federação, lojistas, etc e com muitas pessoas influentes, conseguimos reabrir a USP.

Só podíamos ficar até às 6:45, não podíamos subir a biologia, não podíamos circular na rotatória da reitoria, não podíamos formar pelotão com mais de 4 integrantes e tínhamos que colocar uma placa com número fornecida pela federação paulista de ciclismo. Para obter essa placa, tínhamos que nos cadastrar num sistema informatizado e retirá-la em algumas lojas de ciclismo. Ainda existem uns ciclistas que circulam com essa plaquinha por lá, eu guardei a minha como recordação. Na verdade, essas restrições ainda estão de pé e vira e mexe o pessoal da USP ameaça as assessorias de fechar de novo a USP por conta de ciclistas mal educados e sem noção.

Durante a semana, quem trabalha não tem outro lugar para treinar na cidade de São Paulo. A USP é nossa jóia. Vamos respeitá-la, tratar bem os pedestres, respeitar a circulação de automóveis, respeitar os corredores de sábado, agradecer os motoristas de ônibus que são bacanas, ignorar as ofensas dos estressados, não pedalar além das 7h da manhã, não circular na biologia (os motoristas de ônibus agradecem) e evitar grandes pelotões. É o mínimo que podemos fazer para que isso não aconteça nunca mais.

quinta-feira, 24 de setembro de 2009

Maratona de Amsterdam (parte 2)

Os postos de hidratação são uma lástima, tudo em copinho de papel com 150ml de líquido dentro...maior desespero, precisava pegar vários e pra isso praticamente caminhava. O gatorade deles era uma porcaria, na verdade era suquinho e não tinha sais, me ferrei com isso. Eu aconselho que se leve cápsulas de sal pra essa prova, mas a dosagem deve ser muito bem feita, converse com seu nutricionista pra não dar um piriri. No final eu estava esgotada, desidratada, quebrada, no último km praticamente me arrastei pra dentro do estádio, de novo a pista de atletismo tão linda e...o que vejo ? Um cara correndo de costas ? que louco ? xi, ele tá me dando a mão para cumprimentar...eu cumprimentei né...cada figura! Ele deveria estar com cãimbra ou coisa parecida. Mas cruzei a linha de chegada! yes! completei minha primeira maratona! Me disseram que era difícil, que os últimos 7 quilômetros são um inferno, que dói tudo e... É TUDO VERDADE! Pra mim, a parte mais difícil de uma corrida é a hora de tirar o chip do tênis. Na maratona essa dificuldade beira o impossível : como me inclinar para baixo ou dobrar as pernas sem cair me contorcendo de cãimbra ? Quem já fez uma maratona sabe do que estou falando...como, meu Deus? Como?! Eu tava toda travada! Não tive dúvidas : me joguei de bunda no chão. Tirei o bendito. E agora pra levantar ? Fuck! Como ninguém me conhecia mesmo, rolei de bruços no chão, apoiei as mãos e os joelhos e fui me empurrando pra cima. Que cena. Fui pro hotel andando, 2 km, catatônica, feliz porém sofrendo, doía tudo e a temperatura tava 9 graus e baixando. Enrolada no plástico fininho que eles dão na chegada, fui resmungando : abstrai, xixi, agora não dá, abstrai, fome, não tenho comida e tá tudo fechado porque é domingo, que frio, não porra, pensa em outra coisa vai andando que uma hora chega....e apareceu minha salvação! Encontrei um outro maratonista na mesma situação lastimável que a minha. Fomos juntos conversando sobre a prova, ele era de Israel, me contou da vida dele lá na terrinha prometida, da galera que tava lá em Amsterdam e....sem perceber, cheguei no hotel!
Ah, last, but not least : fechei a maratona em 3h28 (fiquei devendo...) e meu pai fechou a meia em 1h45.
Recomendo essa maratona pra quem gosta de eventos mais tranquilos, o número de pessoas é bem menor que Berlim e Paris. A galera que acompanha é bem animada, tem gente o tempo todo dando força, só diminui na parte rural. É plana, mas por causa do vento não são batidos recordes lá. O clima de Amsterdam é chuvoso, frio e venta, portanto se agasalhe. Na largada, o pessoal costuma levar um agasalho velho e jogar fora antes de começar a correr, eu gostei da idéia, na próxima farei isso também, a gente passa muito frio parado em pé.
No dia seguinte da maratona, suas pernas estarão em frangalhos, acorde tarde, vá para a estação central, pegue um trem para Bruxelas, sente num restaurante bacana, coma uma porção de mexilhão com batatas fritas acompanhado de um bom vinho branco (ou uma boa cerveja belga), deleite-se (isso é para as garotas) com os garçons te atendendo em francês (ulalá!). Vá para a praça central e, de sobremesa, coma os melhores chocolates do mundo com a consciência tranquilíssima e curta a vida!








quarta-feira, 23 de setembro de 2009

Maratona de Amsterdam (parte 1)



Era maio de 2008 e eu e meu técnico, Marcos Paulo, já tínhamos decidido que eu faria o Ironman de Floripa em 2009. Eis que chega uma quarta-feira, no treino de pista do Ibira, o Marcos Paulo, do nada, vira pra mim e fala : "Thelma, você que é uma pessoa que leva a sério os treinos, se fizer uma maratona antes do Iron vai ser o bicho, você vai adorar" na hora comprei a idéia. Ao meu lado estava meu pai, ele havia acabado de comentar comigo que estava pensando em fazer uma meia maratona na europa no segundo semestre, mas não sabia se iria fazer novamente a Meia de Amsterdam ou a Meia de Praga. Em Amsterdam, a meia e a maratona acontecem no mesmo dia, no final de setembro. Nossa, na hora deu o clique : "pai, vamos juntos pra Amsterdam, eu faço a maratona e você faz a meia" E ele : "fechado, hoje mesmo vou fazer as reservas no hotel que eu fiquei no ano passado". E assim aconteceu, treinei para a maratona e fomos juntos pra lá. A prova era no domingo e chegamos na quinta-feira de manhã. O fuso era de +5 horas. Muita coisa, eu recomendo chegar na terça ou no máximo na quarta. Isso pesou no meu cansaço da prova.
A meia era de tarde e a maratona de manhã, largada às 10h. Começa tarde porque amanhece tarde por aquelas bandas nessa época do ano e faz frio...brrrr. Acordei cedo, tomei meu café da manhã cheio de geléia, pão branco e banana e fui sozinha, uma caminhada de 2km. A largada é nada mais, nada menos que no estádio das olimpíadas de 1928. Sim, ele estava completando 80 aninhos e foi completamente restaurado. Lindo. Fiquei sentada nas arquibancadas, num puuuta frio, uns 10 graus, esperando dar o horário de descer pra pista e ficar no meu setor de ritmo. Na inscrição eu informei meu ritmo esperado e no kit veio uma pulseirinha com a cor do meu ritmo, aí era só entrar no setor com a minha cor. Irritantemente organizado.
Mas estava no estádio, sentada, só urubuservando...era uma babel, em poucos segundos eu identifiquei umas 10 línguas distintas, sem brincadeira. Mas a maioria era de franceses. Fui no banheiro do estádio fazer um pips básico, uma mulherada italiana cacarejando alto...muito engraçado, peguei um gatorade holandês horroroso, um tal de AA Sports Energy Drink e fui pro meu setor. Lá conheci um....francês. Sim, eles eram muitos. O cara era bem simpático, não falava uma palavra em inglês e eu não falava uma palavra em francês. Mas conversamos, não sei como. Entendi até que ele queria fechar em 3h20, acho que não conseguiu porque vi ele sofrendo no km 21...
Bem, foi dada a largada pontualmente às 10h. Aí aconteceu o inimaginável, em emoção só perde pra chegada do Ironman : nós demos uma volta na pista de atletismo do estádio e pegamos o portão que dá na rua, nessa hora, o povo que tava lá na arquibancada assistindo, vibrava muuuuuito, eles gritavam muito (nossa, fiquei emocionada de novo agora, eita porra), davam muita força pra gente, como se a gente estivesse indo pra guerra, eu fiquei de tal forma emocionada que comecei a chorar, olhava em volta e tava todo mundo emocionado, UHUUUUU!!! Saí gritando. Como eles dão valor pra esse tipo de coisa, igualzinho aqui na S. Silvestre, que as pessoas vão assistir pra depreciar o atleta e tirar sarro das pessoas, mas, enfim, esse talvez seja um outro post.

O percurso é todo muito plano, na segunda metade da prova aparecem alguns desníveis, tipo passar embaixo de um viaduto, por cima de uma linha de trem, mas basicamente plano. O piso, em algumas partes, é ruim, um paralelepípedo liso por onde passa a linha do bonde, isso pode machucar o pé, então eu aconselho um tênis com mais amortecimento e cuidado, mas são trechos pequenos. Passamos por alguns pontos turísticos da cidade e saímos beirando o rio Amstel em direção a parte rural. A estrada é de asfalto e estreitinha, tudo em volta são sítios e pastagens e tinha até um moinho de vento de madeira! As famílas nas porteiras oferecendo água, as crianças batendo palma pra gente e, quando viam que na minha camiseta estava escrito Brasil, era uma festa : GO BRASÍLIA!!!! hehehe Nessa parte venta forte, é bem descampado, se puder ficar num bolo de gente, fique e se proteja, o vento desgasta. Aliás, se estiver "calor" no dia dessa maratona : leve um agasalho, se estiver frio : ponha luva e protetor nas orelhas, nesse trecho você vai precisar. Depois pode tirar. O retorno é nesse clima bucólico : o esperado km 21. Meia maratona completada! Só falta voltar e fazer tudo isso de novo! hehehe (continua...)


Meia Maratona das Pontes

Espero que eu esteja errada, mas tá com um cheiro de mico essa prova...
Então o pessoal vai largar na Ponte Estaiada e chegar na USP ? E aí, faz como pra ir embora ?Deixa o carro na USP e vai de trem pra largada ou deixa o carro perto da Ponte Estaiada e no final da prova anda pra caramba até a estação de trem da USP e volta todo suado, cansado e fedido pra Ponte Estaiada ? Ou leva um anjo de staff pra acordar cedaço num domingão (a largada é as 7h), te levar pra largada e depois de 2 horas (em média) ir te buscar no final. Lembrando que não vai ser fácil se locomover nos arredores por causa das interdições da prova. Enfim, me soa tudo muito complicado...ah! algo que me ocorreu agora : por quantas pontes passa mesmo ? Só larga na Estaiada e chega na ponte da Cid. Universitária...hum. No meio é marginal Pinheiros e túneis...hum. Enfim, disseram que vão mudar o percurso pro ano que vem. Então vou esperar o ano que vem porque esse ano vai ser meio estranho. Quem for me conta depois como foi que eu estou curiosa.