segunda-feira, 21 de setembro de 2009

Cor-de-rosa

Outro dia li um artigo na revista Triathlete da triatleta canadense, campeã mundial, Samantha McGlone. Ela falava sobre os equipamentos femininos de triathlon e como os fabricantes de produtos esportivos desconsideravam a mulher atleta.

Ela disse que os fabricantes, em geral, pegam o equipamento masculino, pintam de rosa e vendem como equipamento feminino.

No quesito vestuário então é brincadeira : fazem tudo miudinho, baby look, justinho, curtinho. Alguém precisa avisá-los que a mulher atleta é forte, tem musculatura desenvolvida, treina pesado. Sua! A mulher atleta sua e sua pra caramba! Nós somos gente, não somos bibelôs, não somos a Barbie. Nós gostamos e precisamos de roupa confortável, de alta performance, de qualidade, adaptada para o nosso corpo, nós temos o quadril mais largo, a cintura mais fina, as mãos e pés menores... busto! O busto, de qualquer tamanho, precisa de uma camiseta que o respeite, de um top que o sustente (e não aqueles tops lindos mas sem função nenhuma, a não ser enfeitar). E o que mais pega nessa história toda é a qualidade dos equipamentos. Nós queremos a mesma seriedade, o mesmo respeito e nível de performance que estão nos equipamentos masculinos.

Os fabricantes de bicicleta são os que mais pisam na bola quando se fala de alta-performance. São raras as marcas de bike que possuem uma linha feminina de alta-performance, em geral são bikes xexelentas, pesadas, zero de aerodinâmica, com um grupo porcaria, mas pintadinhas de rosa ou com uma florzinha no quadro. Pega essa flor e enfia no...eu quero uma bike boa! Eu pedalo tão ou mais forte que os meus amigos homens, então por que me oferecem essa bike de m...?

E roupa de ciclismo ? É raro encontrar alguma peça de vestuário de ciclismo pra mulher. Eu andei reclamando disso uma época e a Nádia, mulher do Elpídio (que comanda a loja e mecânica Bike Elpídio, representantes da Bianchi no Brasil) resolveu fazer uma linha de roupa feminina de ciclismo, a Dama Bianca. Ela tem investido seu bom gosto e talento desenvolvendo roupas para mulherada. Eu uso tudo e aprovo, são lindas e funcionais. Vamos prestigiá-los, porque além de serem brasileiros, estão fazendo um ótimo trabalho, com respeito e consideração à mulher ciclista. O endereço é R. Tito, nro 1641, na Lapa, São Paulo. Vale uma visitinha, a loja é um show (e o Elpídio & Nádia também!).

Mas voltando ao rosa. Por que feminino=rosa? Eu gosto de várias cores, inclusive o rosa. Quem foi que começou essa história de enfiar o rosa pela nossa guela ? Pode parar! A camiseta de líder do Giro d’ Itália é rosa e os caras que vestem a “maglia rosa” usam tudo rosa! Inclusive o capacete e a faixa do guidão. E não fica nem um pouco feminino, pelo contrário, com a tez queimada de sol de tantos dias pedalando ao ar livre, os caras ficam gatíssimos. Enfim, vamos mudar nossos conceitos, vamos abrir nossa cabeça...ser feminina é muito mais que usar uma simples cor.


Amo muito tudo isso

Ontem foi dia de Troféu Brasil de triathlon em Santos. O dia estava péssimo, chuva o tempo todo, vento frio, mar agitado. Para quem foi fazer a prova, foi um programa de índio classificação 3 cocares normais. Para quem foi assistir, programa de índio 5 cocares de rubi. Ninguém merece um domingo desses...mas serve para darmos valor aos dias de brisa e céu azul.
Que mar era aquele ? Para chegarmos na primeira bóia foi um sacrifício, eu engoli água pra caramba, muito estressante, e olha que não tenho muita frescura. Diminuíram bem o percurso mas, psicologicamente, saímos um pouco desorientados para pedalar.
Passado o susto, agora era tomar muito cuidado com as faixas de pedestre e as curvas no pedal, fácil levar um chão. Decidi sentar a botina no pedal, girava um pouco para pegar embalo nas retomadas e logo em seguida punha uma marcha forte para ir a milhão. Percebi que estava sem cateye, era um pedal às cegas, melhor ainda, ia prestar mais atenção no meu corpo e no meu cansaço. Sentia a perna queimar, mas o fôlego estava bom, e queria arriscar e ver o que acontecia, naquele momento eu só pensava em pedalar forte, como se não houvesse mais nada a fazer depois, na corrida eu ia ver o que tinha sobrado...
Terminou o pedal, a chuva mandando ver sem parar, já estava de saco cheio de água na cara, irritada, larguei a bike na mão do Sidney (marido da Luciana, ambos atletas da Trilopez), xingando S.Pedro, coloquei o tênis e fugi dali com chapéu, Gu, cinto com o número, tudo na mão. Agora era a hora de fazer a contabilidade do que tinha sobrado nas pernas.
Comecei a correr um pouco forte, logo percebi e segurei o tchã. Conforme fui correndo, fui me sentindo cada vez melhor, incrível. Fui pensando comigo : esse esporte é um tesão! Amo muito tudo isso! Mesmo com essa porra de tempo eu estou fazendo o que adoro, que privilégio...ter um corpo saudável. Fiz uma prece a Deus em agradecimento. Tomei meu Gu e fui respirando lentamente para o diafragma não doer. Passada essa fase, encaixei o primeiro ritmo, dos 5k iniciais. Fazendo o retorno para os outros 5k, passei pela galera que vibrava muito e me encheu de energia, encaixei o segundo ritmo, mais forte. Passei pela marca de 6k, ritmo 3'50" pensei comigo : forte demais, mas tá bom, eu estou legal, vou assim. Faltando 1.5km não conseguia fazer muita força, o fôlego pedia mais, mas as pernas estavam pagando o preço da relação volantãoXcoroinha. Tudo bem corpinho, você fez um excelente trabalho hoje, é só chegar e comemorar com os amigos!
Terminei a prova em 2h12min, meu novo recorde pessoal. Tudo bem que o mar estava menor, mas em comparação com o tempo das outras garotas, foi bom demais. Fiquei com o primeiro lugar na categoria e no geral do elite amador feminino.
Próxima etapa em outubro, espero que S. Pedro seja mais camarada!

sábado, 19 de setembro de 2009

Pelotão Pedreiros

Houve uma época em que o Pelotão Pedreiros dominava a USP.

Hehehe...quem me dera, mas éramos bem razoáveis, pedalávamos direitinho, o nosso pelotão de ciclismo das terças e quintas-feiras de madrugada (o treino começava às 5:20) era invejado. Não pela grande capacidade atlética, mas pela alegria e companheirismo que transmitíamos, contando piada, tirando sarro de tudo e de todos e o mais importante : pela PADOCA que vinha depois do treino. (Para a padoca vou reservar uma postagem à parte que ela merece). Muitas vezes tive preguiça e cansaço para levantar da cama e ir treinar, mas a imagem dos Pedreiros e da padoca surgia em minha mente e quando eu percebia já estava lá girando para aquecer e rindo até. Eita que era bão demais, que saudades.
Nós nos encontrávamos de vez em quando fora dos treinos também, almoços, churras, casamento (fretamos um busão para todas as famílias dos pedreiros irem juntas para Curitiba no casório do Big Dog), aniversário de criança. E tinham mais eventos mas eu não participava porque eles precisavam fofocar....

Por que Pedreiros ?
Porque não tínhamos frescuras apesar de estarmos numa assessoria de frescos, a MPR. Nem todos que estão na MPR são frescos, mas todos os frescos estão lá, pode crer. E também para contrastar com a filosofia reinante do "clube do sorriso", que são os atletas que trabalham pouco, acordam tarde, treinam tarde e estão sempre sorrindo. Se o clube do sorriso tomava Accelgel (R$7,00 cada), Endurox e assoava o nariz com lenço de papel durante o pedal, nós, os Pedreiros, tomávamos um preparadinho caseiro, que se compunha de leite em pó, Nescau e maltodextrina, o gel era Exceed (R$1,50 cada) e assoávamos o nariz ao vento! Sai de trás! hahaha! Às vezes era tudo muito nojento, mas era aí que a gente curtia mais.

Quem eram os Pedreiros ?
Eram empresários, advogados, investidores, COs, etc. E euzinha. Vou dar nome aos bois:
Cachorrão - ou Big Dog
Peludinho - ou Ursinho Pimpão
Rubola
Ropebicha
Mexicano - ou Shakira
Leozinho
Jun
Lorde - ou Iceman
Celsones
Expresso Russo - ou Locomotiva Russa

O fim dos Pedreiros
Todos casados, meus grandes amigos tinham e têm grandes esposas. Aí a cegonha visitou uns, outros fizeram o Iron e bodearam, outros decidiram dar prioridade para outras coisas da vida. Eu acho tudo muito justo, o triathlon é maravilhoso mas ele nos deixa um pouco egoístas...

Alguns Pedreiros estão voltando
A galera tá voltando aos poucos. Outros nunca pararam, tipo o Mexicano esse finde tá em Cancún fazendo o 70.3. De todos aí dessa lista só o Rubola e o Peludinho estão completamente off. Pelo menos eu nunca mais vi em treino nenhum. O Rubola operou o joelho, já o Peludinho...te contar viu...

sexta-feira, 18 de setembro de 2009

Cansei do Troféu Brasil de triathlon

Quem cansou do Troféu Barsil põe o dedo aqui que já vai feeeeeeechar!
Caraca! Gente, USP-Santos-USP-USP-Santos-Santos-Santos ? Valhamedeus que ninguém guenta essa rotina !!!!! Sempre a mesma coisa nos mesmos lugares, a mesma pulseirinha de velcro pré-histórica e a galera minguando...
Tudo bem que é super organizado, sério, pontual, etc. E é o único circuito que temos no Brasil de qualidade, etc. Mas eu já tô de saco cheio...buáaaaa
Muda! Muda! Muda! Sei lá como, mas precisar mudaaaaaaar!

Dean Karnazes

Fui apresentada ao Dean Karnazes através de um presente maravilhoso que ganhei da minha querida amiga Claudia Aratangy : o livro 50 maratonas em 50 dias. Ele é meu herói, meu guru, meu mestre, meu everything. E gatíssimo hein ? Deus agraciou o rapaz não só com um genótipo perfeito, o fenótipo também beira a perfeição, afe.
Nesse livro ele conta essa história insana das 50 maratonas e também dá dicas para os maratonistas sobre tudo, desde comer gengibre fresco pra indisposição estomacal e como não ter bolhas nos pés até a proporção entre carbo e proteína ideal para recuperação.
Se você terminar esse livro e ainda não tiver respondido aquela pergunta insistente comum a maratonistas e triatletas de longa distância : "por que eu faço isso ?"então é melhor começar a jogar críquete ou golf porque com certeza você está no esporte errado.
Eu nunca aceito que me digam o meu limite porque, engraçado, eu nunca concordo! O Dean Karnazes fez uma dedicatória no meu exemplar que diz assim : "Never stop exploring". Minha resposta para ele : Ok Dean! I won't stop!